A escolha da profissão:
um dilema para os jovens

O palestrante é autor do livro “Miopias na escolha da carreira profissional. Os 17 erros mais comuns – e como evitá-los”

Para o jovem, a escolha da carreira sempre foi uma

das mais difíceis tarefas... Agora está ainda mais difícil optar?
Sempre foi difícil, a diferença é que o número de opções era menor no passado. Só no Guia do Estudante são descritas 243 opções de carreira profissional. O ex-secretário de Educação Richard Riley mostrou que as 10 posições de trabalho mais procurados em 2010 não existiam em 2004. Há que se acrescentar que algumas profissões estão desaparecendo e tudo isso ocasiona um turbilhão de dúvidas e angustia no jovem, a ponto das estatísticas indicarem que 50% dos que estão no terceiro ano do ensino médio, portanto às portas da universidade, ainda não escolheram o que irão cursar. 

 

Como o jovem pode equilibrar os dois fatores: a influência dos pais e a profissão que “dá dinheiro”?
A preocupação dos pais é legítima, afinal eles pensam: como esse menino ou essa menina irá sobreviver? O problema é que eles (os pais) conhecem quatro ou cinco profissões e desprezam, por falta de informação, as novas opções que estão surgindo. Quem terá mais oportunidade de trabalho nos próximos anos: alguém formado em direito ou marketing digital? Só para se ter uma ideia, neste ano de 2018 formaremos o advogado de número 1 milhão, com carteira da OAB. Teremos um advogado para cada 200 pessoas, no Brasil. Se  deve considerar, ainda, que neste momento existem 873 mil estudantes de direito no país, o que significa que em poucos anos teremos um advogado para 100 brasileiros. Seremos o país com maior  quantidade de advogados no mundo. 
Aqueles pais que têm negócios próprios querem que os filhos os sucedam, seria ótimo se fosse assim, no entanto, sabe-se que existe um conjunto de inteligências, talentos ou habilidades, que é de cada um e acredita-se que não existam dois seres humanos com o mesmo conjunto de habilidades no mundo. Conheço muito publicitário bom, filho de médico; dentistas extraordinários filhos de advogados; da mesma forma que conheço filhos de jogadores de futebol, de corredores de fórmula 1, de atores e atrizes da TV e de cantores sertanejos que, mesmo com muito investimento dos pais, não chegaram nem perto do sucesso que os pais alcançaram. Isso significa que “cada um é cada um!”
Quanto ao dinheiro, é outra preocupação legítima e os profissionais melhores remunerados pelo mercado concentram três indicadores: 1. O que eles fazem é valioso - ou seja, é desejado pelo mercado. 2. Têm uma carreira difícil de imitar – eles construíram uma carreira que os torna “raros” e é bom lembrar que o mercado paga pela nossa “raridade”. 3. Eles são conhecidos – divulgam suas realizações, mostram-se em vez de se esconderem. Mas, duvido que isso aconteça se não forem absolutamente felizes com aquilo que fazem.

 

Itapetininga é uma cidade com vocação em agronegócio; os jovens devem guiar-se pelas características locais/regionais? Ou a sua recomendação é “abrir as portas do mundo”?
O mundo encolheu, da mesma forma que alguém da geração anterior saía de Itapetininga e ia trabalhar em São Paulo, e voltava todo final de semana para visitar a família, a geração atual sai do Brasil e vai trabalhar no Egito, na Austrália, no Japão e volta a cada dois meses para visitar a família. São “cidadãos do mundo!”. 
No entanto, acredito que se o jovem quiser ficar na região e atuar no agronegócio também será uma boa opção. Afinal o que tem salvado a economia brasileira nos últimos anos é exatamente o agronegócio respondendo por cerca de ¼ do PIB nacional e quase por 45% do que exportamos. Cada vez mais parece que o mundo assume o seguinte desenho: o shopping center é os EUA, o museu é a Europa, a fábrica é a China e nós somos a fazenda.
Para aqueles que forem ficar na região, a recomendação é: mesmo aqui, se abra para o mundo, o agronegócio 4.0 vem aí, olhe para a tecnologia junto com o agronegócio.

 

O que “dá dinheiro” é o que se faz com prazer e amor?
Curiosamente, quando se olha para a lista das 10 profissões nas quais as pessoas se sentem mais realizadas, percebe-se nelas menos glamour do que se imaginava e uma perspectiva de retorno financeiro mediano. Na lista, resultado de pesquisa da Universidade de Chicago, encontramos: bombeiros, fisioterapeutas, psicólogos, professores, líderes religiosos, etc. O que se observa de comum entre elas é que são profissões onde a pessoa se coloca a serviço do outro e que possuem um propósito maior que a remuneração. Parece que esse é o segredo da felicidade no trabalho. A mim, me parece que seja mais fácil buscar uma atividade realizadora e conquistar o resultado financeiro em consequência disso que o contrário. Atuar profissionalmente em algo sem ser de corpo e alma me parece cruel demais. É sempre bom lembrar que o maior número de ataques cardíacos, acontece nas segundas-feiras entre 8 e 9 horas da manhã, exatamente quando as pessoas retornam à sua atividade profissional. Talvez seja pelo fato da alma não estar ali. Pense nisso!

©2018 desenvolvido por Gustavo Matheus