Em época Castrense, missão dada é missão cumprida. Mesmo com certo atraso (aproveito para pedir desculpas ao Fábio), envio minha matéria. Longe de ser um escritor, me declaro apenas um grande observador. Desta vez recebi ordens para falar sobre Educação, mas não vou cair na armadilha de comentar sobre os moldes da educação atual, aos quais tenho grandes reservas, e, desta forma, escaparei de ser crivado de críticas. Reservo-me o direito da crítica velada, não pública, inclusive por não ter “expertise” no assunto (o termo entre aspas já é uma crítica). Como consta no perfil duma grande amiga, “a Língua é minha Pátria”. Quanto ao resto do texto, posso falar, inclusive por participação nos direitos autorais.


Minha mãe é fã daquela série Anos Dourados (omito a emissora por motivos pessoais). Ela deve ter os motivos dela e todos nós, até hoje, compartilhamos aquelas músicas maravilhosas; basta um uísque para sairmos dançando, em qualquer coquetel ou casamento, ao som de Elvis (a conhecida Bebel que o diga), Ray Conniff, Chuk Berry, Little Richard e outros. Só que ela, minha mãe, fala muito também sobre seus tempos de escola, seus professores e outros assuntos pertinentes, retratando-os como maravilhosos ou simplesmente “dourados”. Mas será que ganharam da gente?
Tenho um grupo num aplicativo, o de sempre, que reúne minha classe do Peixotão (formada em 79), embora eu tenha me formado em 80 (não repeti o ano!!!!); vira e mexe a gente recorda os nossos anos, a meu ver, mais que dourados.


O pessoal dos anos 50/60 fez teste de Cooper com o velho Átila? Ou com a D. Yolanda ou com a Maria Helena? Ganharam pontinhos na prova com o Paulo Rage? Morreram de medo da D. Carmem Moucachen? Apavoraram-se com as notas da D. Abigail? Tremeram com a D. Irene? Sofreram com o desenho geométrico da D. Aparecida Clara? Aperfeiçoaram-se no inglês com D. Ilza? Deram risada e bagunçaram nas aulas do Marinho e do Vanclei? Viram a Cidinha, jovenzinha, dar aulas de História sentada na mesa, de calça jeans e camiseta, para espanto, admiração e inveja de todos? E as aulas de literatura da D. Maria Teresa, com Machado, Alencar, Bilac, praticamente juntos na sala com a gente? Não tivemos aulas de latim, mas cá entre a gente, é uma língua morta. Mas em compensação, tivemos aulas de francês com a D. Ana Maria.
Se a competição já está meio empatada, decidirei agora. Fora tudo isto, nós tínhamos a Praça, o Venâncio (com terno emprestado para os bailes) e os Bancários, mas com o aflorar da liberdade (sim, testávamos o limite). E, principalmente isto, vocês dos anos dourados não puderam fazer. Sobre esta liberdade, aflorada e testada, prometo um texto no futuro.


Terminaria aqui, mas tenho fofocas...
Falando em bailes, tínhamos também os bailinhos. Sobre os primeiros, já falei bastante em outros textos. Mas sobre os últimos, farei uma confissão importante agora. Foram traumáticos.... banho rigoroso, tirando todo barro dos campos de futebol dos Bancários, barba escassa escanhoada, cueca nova (só em sonho seria mostrada), calça Fiorucci, camisa de voal, sapato bico fino, meias brancas (não sei de onde tiraram esta moda) e perfume patchouli. Tudo isto para quê? Para nada.
Sim, levávamos aquela “tábua”.... Até hoje eu e o Renato Rocha somos traumatizados com isto. Culpa daquelas meninas inescrupulosas e más... Ainda hoje riem...
Mas continuamos felizes, e tocamos a vida em frente. E um bom uísque estes dias, na represa de Avaré, lavou nossas almas. Eu, Laudelino, Renato, Zé Reynaldo, aproveitamos do final da tarde para falar mal de vocês. Vingados!!!


Ouvindo Taiguara, uma homenagem à “CRASSE”! Abraços a todos.

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