Sapateiros Top de Itapê

"Lá vai o Sapateiro para sua faina diária. No espaço apertado, entre quatro paredes. Pacientemente, escolhe as ferramentas. Sentado no banco rude, começa a bater a sola de couro cru, modelando o remendo no calçado tosco. Seus pensamentos giram em redemoinhos tal qual as borboletas em campos floridos. A sola nova substituindo a perfurada pelos desgastes do uso contínuo. Quantos passos, locais e emoções guardam aquele surrado calçado? Não importa para ele. O serviço humilde, paciente e valoroso é importante para ver com seu rosto suado o sorriso do cliente, agora protegido do frio, da chuva ou de sol abrasador. Sentindo o andante, no íntimo, aquela sensação gratificante de força e conforto para enfrentar os novos tropeços da vida". 

PRIMÓRDIOS
Sapateiro, uma das profissões mais antigas de que se tem notícia. Por volta do ano 280, os irmãos Crispim e Crispiniano, que eram patrícios romanos e pertenciam à classe rica daquela época, se converteram ao Cristianismo. Foram perseguidos pelos governantes e tiveram que sair de Roma. Foram para Gália e lá se estabeleceram. Fizeram voto de pobreza, distribuíam suas riquezas e passaram a trabalhar como sapateiros, além de estarem sempre envolvidos com atividades sociais. Um conto diz que certo dia, fugindo do imperador, passaram a noite na casa de uma senhora e no dia seguinte, quando já tinham ido embora, ela percebeu que tinham deixado um sapato cheio de moedas de ouro.
 

MARTIRIZADOS
Por conta da perseguição, foram assassinados. Dizem que foram capturados e amarrados numa pedra e jogados no rio, mas que tinham conseguido sobreviver. Quando descobriram, foram presos novamente e, em seguida, decapitados. Ficaram conhecidos por serem sapateiros, e por uma lenda no qual teriam ajudado uma criança pobre e sua mãe, que lhes deu abrigo durante uma perseguição. Por isso são considerados padroeiros dos sapateiros.

 

HOMENAGEADOS
Após mil anos, por volta de 1.300, o Cristianismo tomou conta de Roma e um bispo recuperou as vestes dos irmãos e criou uma Igreja em homenagem a eles. Foi então convencionado o Dia 25 de outubro como o Dia do Sapateiro, em homenagem a São Crispim.

 

NOSSOS 
Itapetininga possui inúmeros sapateiros. Escolhi alguns conhecidos amigos e, em nome deles, homenageio a todos.

 

José Ramachote Sobrinho
Há 60 anos trabalhando como Sapateiro em Itapetininga. Desses, está com sua oficina, há 49 anos na Rua Dr. Virgilio de Resende. Antes de iniciar no ramo, quando molequinho, trabalhava como atendente de farmácia e entregador de pães e padeiro. Aos 15 anos foi aprender o ofício como auxiliar do saudoso Silveira Neto e daí abraçou com carinho e dedicação a profissão e está trabalhando até os dias de hoje. Casou-se com Da. Aparecida Vieira e tiveram 3 filhas e 7 netos.

 

Jorge Luiz de Campos
Itapetiningano, iniciou na profissão em 1968, portanto, há 50 anos. Seu pai, Ary de Campos, era celeiro na antiga Casa Zebu do saudoso Gumercindo Soares Hungria (Rua Quintino). Jorge, com seus 10 aninhos ficava observando seu pai trabalhando e foi aprendendo a arte de lidar com o couro. Também dava uma espiadinha no trabalho do Sr. Vardico Gomes, na Casa Matarazzo, do saudoso Costábile, onde recebeu o apelido de Gato. Mas iniciou na vida do trabalho como charreteiro na entrega de leite de casa em casa. Depois foi lavador de carros e mecânico. Já adolescente foi trabalhar como costureiro na fábrica de roupas Magister. Em 1970 montou sua primeira oficina na Rua Saldanha Marinho e depois na Monsenhor Soares, 1033, onde, com 64 primaveras, trabalha até os dias atuais, sempre com o nome de Sapataria 'Quebra Galho'. E o danado ainda é músico na Banda Municipal Maestro Edil Lisboa como percussionista; antes na extinta Banda N. Sra. do Rosário. Casou-se com Da. Clarice Rodrigues Lima Campos e possuem 3 filhos e 2 netos.

 

Irmãos Éber dos Santos Tomé e Eunice Santos Tomé
Éber, com 12 anos, já trabalhava na fábrica Primordial, em Angatuba, na fabricação de bolsas executivas. Lá casou-se com Jerusa dos Santos e tiveram 2 filhos. No ano 2000 mudou-se para Itapetininga e começou a trabalhar na Sapataria do Toninho Ferreira com quem aprendeu o ofício de trabalhar com consertos de calçados. Essa oficina já existia desde 1878. Sr. Toninho aposenta-se em dezembro de 2012 e dá um grande presente de Natal a Éber: sua sapataria com ponto e toda sua freguesia na Rua Saldanha Marinho, 709, onde está trabalhando até os dias de hoje. Em 2012 sua irmã Eunice muda-se de Capão Bonito com seus 2 filhos para a Terra das Escolas. Ela então passa a ajudar seu irmão a engraxar e pintar calçados e, depois de 6 anos, já está também no ofício de Sapateira no mesmo endereço. 

 

Salvador Quirino Vieira
Carinhosamente chamado de Vadô. Nasceu em um sítio no Bairro Capão Alto onde, desde a tenra idade, trabalhava na roça para ajudar seus pais. Aos 18 anos conseguiu emprego de auxiliar de eletricista na firma Alplan / Duratex. Lá trabalhou por dois anos. Em 1983 montou sua Sapataria Vadô lá na Rua Alfredo Maia, onde está na labuta até os dias de hoje. Com seu trabalho criou um casal de filhos dos quais tem muito orgulho. 

 

Antonio Carlos Hergesel
Nascido em Angatuba, quando tinha 6 aninhos sua família aportou em Itapetininga em 1965. Aqui estudou e, com 12 anos de idade, começou a trabalhar como aprendiz de sapateiro na Gensen do Mercadão Municipal. Casou-se, possui 2 filhos e dois netos. Em 1978, abriu sua própria oficina, "Bota Botina", perto da Rodoviária de Itapê. Logo mudou-se para Rua Moshe Grajcar, atrás do Shopping Itapê, onde está até hoje e comemorando 49 anos de profissão.

Nossos sapateiros são TOP!
 

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