Guarei: Terra das Bolas de futebol

Brasil: Terra do futebol

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Ano de Copa do Mundo. As pessoas focadas no maior campeonato de futebol, envolvendo todos os continentes, os melhores jogadores e, claro, os craques da seleção brasileira.
Neymar e equipe entram em campo e recebem a atenção do mundo!

 

O que pouca gente sabe, é que os grandes craques do Brasil podem ter iniciado suas carreiras, com seus contratos e transações milionárias, jogando em pequenos campos de várzea, ou nas ruas das pequenas cidades do Brasil, com uma bola fabricada... em Guareí!
A cidade de Guarei detém uma marca impressionante: é uma das maiores produtoras de bolas de futebol do Brasil.

 

Milhares de bolas de futebol saem de Guareí mensalmente. E sabem onde são produzidas? Na Penitenciária II.
Entre os presos, mais de 1.300 deles trabalham ou estudam; e os que optaram pelo benefício do trabalho, quase todos produzem bolas e redes de futebol.
Alguns dedicam-se à fabricação de sacolas de papel (das mais sofisticadas lojas e boutiques do Brasil) mas a maioria costura bolas e tecem redes.
A equipe da Revista Top da Cidade foi visitar a Penitenciária à convite da direção daquela unidade, e deparou-se com um ambiente extremamente bem organizado, limpo e com grande preocupação em oferecer trabalho e estudo aos internos, evitando o ostracismo e a ociosidade. E parecem que estão conseguindo....
Mais de 30.000 bolas de futebol, de diversas marcas, tamanhos e times de futebol são montadas e costuradas uma a uma...
Uma verdadeira linha de produção, com uma complexa atividade: as peças chegam ‘desmontadas’, em pequenas peças sextavadas, com um guia de montagem.
Os presos aprendem o ‘quebra-cabeças’ e iniciam uma produção com extrema prática e velocidade.


Ambiente
Fomos recebidos por dirigentes da Unidade Prisional. Circulamos livremente por todos os espaços. Seguindo uma disciplina absolutamente monitorada, o ambiente favorece a dedicação e concentração. Uns costuram bolas, tecem redes com a mesma técnica dos pescadores – com instrumentos semelhantes, inclusive – enquanto outros embalam os grandes sacos que são entregues às empresas que contratam os serviços.
O trabalho dentro das penitenciárias é resultado de convênios entre empresas contratantes e a SAP – Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, sob os quais os detentos podem trabalhar recebendo uma remuneração e, ainda, por uma contagem de tempo que pode acelerar sua liberdade (remição, onde a cada 3 dias trabalhados, reduz 1 no tempo total da pena a ser cumprida em restrição e liberdade).

Pátria de chuteiras
A quantidade de bolas e redes de futebol produzidas nos presídios (Guareí II não é o único), faz a gente acreditar que em praticamente qualquer campinho de futebol, haja uma bola produzida em Guareí.
Ou seja, de dentro das penitenciárias, onde vivem milhares de pessoas que arcam com a consequência de algum ato infracional, esteja saindo um dos símbolos mais fortes da cultura brasileira: a bola.
Bolas que crianças aprendem a chutar junto com seus primeiros passos... Bolas que encantam meninos e meninas como um dos presentes mais desejados... Bolas que reluzem nos pés dos milhões de Neymares e Ronaldos... e nos fazem sentir orgulho de sermos brasileiros, ao encontrar com um Pelé em cada esquina.
A Pátria de Chuteiras, livro antológico de Nelson Rodrigues, poderia ser complementado por “Pátria de Chuteiras, com Bolas de Guareí”!
 

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