Bruna Lacerda

Cidadã Global

Onde estará no futuro, ninguém sabe, pois a Educadora Física parece ter rodinhas nos pés... ou asas. Conversamos com a itapetiningana Bruna Lacerda, que é hostess em um dos mais luxuosos restaurantes de São Paulo – o Tangará Jean-Georges, que acaba de conquistar uma estrela Michellin.

 

A 'internacional Bruna' convive bem com autoridades, personalidades e artistas, em um circuito totalmente globalizado: o restaurante onde trabalha está dentro do mais luxuoso hotel de São Paulo, o Palácio Tangará.

 

Entre ricos e famosos, Bruna atendeu ao nosso convite e falou para a Revista Top da Cidade, sobre sua infância em Itapetininga e as inúmeras voltas ao mundo. 
“Estudei na escola Chapeuzinho Vermelho, Colégio Objetivo e Instituto Imaculada Conceição. Sempre fui apaixonada por esporte e passei minha infância e adolescência treinando natação na FKB e no Colégio Objetivo. Os professores Marcio Costa - o “Tó” e o Galão foram meus maiores incentivadores, bem como minha psicóloga Loraine Reigota, meus pais e minha irmã – a também Top Camila Lacerda”, conta com orgulho e satisfação de lembrar de quem foi importante em sua formação inicial.

 

Ela prossegue: “A primeira vez que saí de Itapetininga foi aos 16 anos, em 2005, quando fiz intercâmbio (o famoso High School) nos Estados Unidos, durante 1 ano letivo. Ao terminar o colégio, não sabia que carreira seguir. Acho que 17 anos é muito cedo decidir aquilo que você vai fazer para o resto da sua vida... Fiz 1 ano de Hotelaria na faculdade Anhembi Morumbi, mas decidi voltar para Itapetininga. Para não ficar parada, fui cursar Educação Física na FKB. – mas, ao terminar a faculdade ainda não sabia o que fazer.... Pensava, pensava, mas não vinha nada em mente”.

 

A mudança foi sugerida pelo pai, o médico Jair Lacerda. “Um dia meu pai chegou em casa e disse que tinha encontrado uma profissão pra mim: Aeromoça! Fui pesquisar e gostei. Fiz um curso de Comissária de Bordo em São Paulo. Queria trabalhar em cias aéreas internacionais. Foi difícil, mas desistir nunca foi uma opção”.
Ela sabia que precisava investir ainda mais em sua formação. Foi para Córdoba, na Argentina, aprender espanhol.
“Trabalhei em hotéis como recepcionista em troca de alojamento e como faxineira para ganhar alguns trocados.... Com o espanhol na ponta da língua retornei ao Brasil e comecei a trabalhar no Intercontinental como Hostess, mas ainda assim continuava tentando entrar nas companhias aéreas. Foi quando, em junho de 2014, foi contratada pela Qatar Airways”. Ela conta que o processo é bem extenso e intenso, dura o dia inteiro e pessoas vão sendo eliminadas ao longo do dia... Fui aprovada e embarquei para essa jornada em agosto de 2014”.

 

Vida de aeromoça
Tive que mudar para o Qatar. E foi uma experiência maravilhosa! Aprendi que voar é como a nossa vida, uns dias mais turbulentos que outros, mas no final, o sol sempre volta a brilhar. Ser comissária, para muitas pessoas, é somente servir refeições... mas é muito mais que isso. Alguns passageiros gritam com a gente, outros ficam com o fone de ouvido enquanto a gente apresenta o menu (e por não prestarem atenção, tinha que repetir 3x e, ainda: SORRINDO)”. Aprendi que o meu umbigo é somente o centro do meu corpo e não do mundo, sacrifiquei celebrar datas festivas, como aniversários, Páscoa, Natal, ação de Graças, véspera de ano novo, para que pessoas pudessem celebrar com seus amigos e familiares. Já tive que sorrir e das as boas-vindas a bordo, quando na verdade por dentro eu estava arrebentada... apesar de passar o dia todo servindo comida, muitas vezes não tinha tempo de comer, e quando comia, era em pé; tive que superar medos e inseguranças para ajudar passageiros...
 

Outro lado
Viajei o mundo e visitei cada país como se fosse a última vez que estaria naquele lugar. Procurei interagir com a tripulação, pois em 99% dos casos, seria a primeira e última vez que estaríamos voando juntos. Aprendi a fazer da tripulação a minha família, que tem alguns bravos, preguiçosos, trabalhadores, reclamões, engraçados, mas que de maneira única tornavam cada voo uma experiência inesquecível.
Conheci muitos países como Djibouti, Rússia, Nigéria, Quênia, Canadá, Austrália, China, Índia, Sri Lanka, Indonésia, Tailândia, Malásia, Bulgária... 
Após intensos 3 anos de trabalho, Bruna 'deu um tempo' e está em São Paulo no estrelado restaurante em São Paulo, mas... até quando? Nem ela sabe... Quem tem asas e rodinhas nos pés, nunca sabe o que a vida faz do seu destino...
Seja como for, é uma cidadã do mundo, construindo o seu próprio destino, com orgulho de suas raízes brasileiras e itapetininganas.
“Aaaa”, exalta-se! “Escreva aí que também dou aulas de dança para crianças em um colégio de São Paulo!” 
Ufa! Que vida Top! 

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