CVV Itapetininga

uma questão de vida!

Dois fenômenos se somam com a instalação do NAVIT - Nucleo de Apoio à Vida Itapetininga: a conscientização de que a cidade precisa unir-se para valorizar a vida, dar apoio emocional e, assim, atuar na prevenção do suicídio; e, ainda, promover a solidariedade de pessoas com o mesmo propósito.
O NAVIT é uma organização sem fins lucrativos, composta por pessoas voluntárias, apenas e tão somente com o propósito de somar aos esforços que o CVV – Centro de Valorização da Vida, desenvolve, com êxito, no Brasil, há 56 anos.
A primeira Assembleia Geral e constituição da entidade foi realizada no dia 17 de janeiro de 2019, nas dependências da Igreja Presbiteriana de Itapetininga, à Rua Virgílio Silveira, 246 - Jardim Itália - Itapetininga/SP.
Sua primeira composição ficou assim constituída:
Presidente: Fábio Carriel e Vice Presidente: Marina Nalesso; Secretária: Elaine e Vice Secretária: Patrícia Santos; Tesoureiro: Junico e Vice Tesoureiro: Abib.
Conselho Fiscal: Titular Cássia Matarazzo e Suplente Fábio Miranda; Titular Danielle Chiara de Camargo e Suplente Aline Floriano de Lima; Titular: Camila e Suplente: Vera. 


Cássia Matarazzo coordenará o Posto CVV Itapetininga
A Coordenação do 'Posto do CVV de Itapetininga' será realizada pela psicóloga Cássia Matarazzo, que atendeu nossa Redação Top:

Top: Os indicadores dos casos de suicídio estão aumentando no Brasil?
Cássia Matarazzo: Sim. Segundo os dados divulgados em setembro de 2017 pelo Ministério da Saúde o número de suicídios aumentou 12% no Brasil, entre os anos de 2011 a 2015.
Em nosso país, o suicídio é a terceira causa de morte entre os jovens de 15 a 29 ano, do sexo masculino, perdendo apenas para a violência social e acidentes de trânsito. 
Acreditamos que os dados a respeito do suicídio são menores do que a realidade apresenta, frente ao grande tabu que nossa sociedade possui, evitando-se dialogar e refletir sobre o tema.
Sabemos que o suicídio é uma questão de saúde pública e por isso faz-se necessário buscarmos informações corretas e realizarmos ações preventivas contínuas a fim de que consigamos reduzir tais índices.

Top: Existe uma explicação para isso?
Cássia: O suicídio é uma expressão de grande sofrimento; suas causas são multideterminadas e se relacionam com a história de vida da pessoa, existindo também fatores biológicos para doenças mentais, psicológicos, sociais e culturais que se interagem. 
Observamos que o preconceito para aquele que sofre é evidente. Nossa cultura objetiva “ser saudável” e a “aparência”, a aceitação. Assim, quando alguém demonstra sofrimento, por estar deprimido, por exemplo – é avaliado como “uma frescura”, como “preguiça”. Na maioria dos casos a família e a sociedade não legitimam e não acolhem o sofrimento emocional e os problemas de interação são ainda mais prejudicados com o uso excessivo das redes sociais. 
Outras questões estão fortemente relacionadas ao suicídio como a história de violência doméstica (física, psicológica, sexual), problemas financeiros e o isolamento social. 

Top: E em Itapetininga? Temos casos tristes de jovens e até senhores de idade. O que pode explicar esse fenômeno em Itapetininga?
Cássia: A microrregião de Itapetininga reflete as questões sociais mais amplas. Nossos jovens encontram-se extremamente envolvidos com a internet, vulneráveis aos seus riscos e, ao mesmo tempo, sofrendo as pressões familiares e sociais da fase de seu desenvolvimento.
A precocidade, competitividade, superproteção e o uso de drogas acentuam e desencadeiam os desafios que o jovem normalmente enfrenta, aumentando também os índices de suicídio juvenil.
Outra população de risco para o suicídio é a idosa, a qual vivencia por vezes a falta de autonomia, “da produtividade” e dificuldades decorrentes do envelhecimento (doenças incapacitantes e dores crônicas, por exemplo), os quais associados ao acúmulo de perdas e lutos e a falta de contato familiar e social, tornam-na muito vulnerável ao suicídio.
Assim, Itapetininga e o mundo carecem de propostas de prevenção do suicídio e de valorização da vida da mesma maneira.


Top: Qual sua expectativa com o CVV em Itapetininga?
Cássia: Eu acredito que com a implantação do C.V.V. (Centro de Valorização da Vida) em Itapetininga teremos ainda mais espaços para apoio emocional e prevenção ao suicídio na cidade.
O voluntário do C.V.V. é treinado constantemente para acolher, escutar ativamente aquele que sofre, ao receber uma ligação pelo 188, ou por meio de e-mails e chats.
Outra atuação específica em nossa cidade é o C.V.V. Comunidade, que realiza palestras informativas e grupos de apoio, ações que proporcionam esclarecimento e efetivam um alívio para o próximo – diminuindo também o preconceito a respeito das doenças mentais e do sofrimento emocional. 

Top: Fale um pouco sobre você, sua atividade profissional e qual o seu vínculo/sua relação com a causa do suicídio.
Cássia: Além de psicóloga sou filha, esposa, mãe, amiga... Escolhi a Psicologia há mais de vinte anos. Trabalho há dez anos como perita em casos da Vara da Infância e Juventude e da Família, no Tribunal de Justiça – Fórum de Itapetininga, mas meu envolvimento com a causa do suicídio passou pela minha história familiar.
Quando adolescente perdi um familiar pelo suicídio. Na época, a causa da morte não foi comentada nem mesmo no contexto doméstico, tamanho o tabu. Senti uma grande lacuna a respeito e as consequências dessa dor familiar foram devastadoras.
Descobri anos depois a forma da morte de meu querido familiar: o suicídio.  Reconheço-me como uma “sobrevivente” – nome dado a aqueles perdem amigos próximos e familiares dessa maneira. Uma dor avassaladora, sem respostas e infinita se instaura naquele que fica.
Depois disso, quando observei o aumento significativo de casos de suicídio e automutilação juvenil em meu contexto de trabalho – reforcei meus estudos sobre o assunto, realizando pesquisas e especialização sobre o tema. 
Igualmente me voluntariei no Projeto “Falar é Bom”, da Promoção Social (Prefeitura de Itapetininga), realizando ações preventivas e palestras em escolas, instituições religiosas e apoiando as atividades dos CAPSs e do “Setembro Amarelo” (mês de prevenção ao suicídio). 
Assim, tomo para mim uma frase que li num cartaz do C.V.V.: Se conseguirmos evitar um suicídio, nossa vida inteira terá valido a pena. 
É uma missão pessoal que atingiu minha vida profissional (e vice-versa) e sou muito grata por fazer parte de um grupo de pessoas que luta por essa causa. Aproveito para convidar a todos para seguirmos juntos nesse sentido.

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