1 + 1 = 12

Mãe de doze filhos sugere autoridade

        dentro de casa e igreja para educar

Martha Benétrio Leme

Aos 88 anos a força já não é a mesma. Ainda mais depois de um AVC (Acidente Vascular Cerebral). As pernas estão cansadas, a pele enrugada e o cabelo é grisalho. Os braços hoje são frágeis, quem diria que são os mesmos que carregaram, deram banho e comida para 12 crianças? Dona Martha Benétrio Batista Leme foi entrevistada pela Revista Top da Cidade para nos contar o que sabe: educar os filhos.

 

E pra começo de conversa Martha já os elogia: “Nunca deram trabalho!”. Em seguida dá seus conselhos. “É preciso corrigir dentro de casa desde pequeno. Ensinar o que é certo e o que é errado. Os pais precisam ser respeitados, ter autoridade. E fora de casa é importante levar à igreja para serem boas pessoas”, conta.
Martha vive na Vila Barth 2. Foi lá que ela e alguns de seus filhos e netos nos receberam. É lá também que normalmente a família se reúne aos domingos. “Minha mãe vivia sozinha desde 1994, quando meu pai morreu. Nunca quis que nenhum filho morasse com ela, é muito independente. Só mesmo depois do AVC é que começamos a revezar, ficando com ela um filho a cada dia”, explica Marta, uma das filhas.
O patriarca da família, Bento Batista Leme, faleceu aos 59 anos em decorrência de um infarto.

 

A idosa teve a primeira filha, Maria de Lourdes, aos 20 anos e o último, André, aos 46. Entre eles, por idade, estão: Natália, Fátima, Aparecida, Sônia, Lúcia, Marta, Anésio, Rogério, Ana Maria e Neusa. Ao todo, nove mulheres e três homens. “O pai tinha muito ciúmes das meninas. As levava para as quermesses da igreja, sempre de olho se não tinha algum rapaz paquerando as meninas (risos)”, lembra a mãe.
Hoje André, o caçula, tem 41 e a primogênita Maria de Lourdes, 63. Mas mesmo com o passar dos anos, com certeza não se esquecem da infância na zona rural. “Meu pai trabalhava na Fazenda do Estado, no Bairro Barro Branco, entre São Miguel Arcanjo e Itapetininga. A gente tinha uma casinha ali muito simples. Dois quartos, fogão de lenha, banho de caneca, colchão de palha, mas era muito gostoso. Foi uma infância com muitas brincadeiras, muita amizade com tantos irmãos em meio à natureza”, recorda Sônia.

 

A família se mudou para a zona urbana há décadas. Todas as crianças já cresceram e hoje têm filhos e até netos. Mas nada pode apagar da memória de dona Martha as lembranças de estar com o marido e um monte de criançada correndo pela casa. “Às vezes eu choro de saudades. Eu era muito feliz. Não que hoje eu não seja, sou muito grata, pois todos os meus filhos estão com saúde e são todas boas pessoas. Mas é que naquela época eu fui muito feliz”, desabafa a idosa.
 

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