Dirceu Campos 
O 'velhinho' 1001 utilidades

Amor a Itapetininga. Esse parece um resumo adequado à trajetória de vida de Dirceu Campos, de 79 anos. Dirceu aposentou-se como ferroviário na década de 80, mas não parou: fez seis faculdades, trabalhou como professor em escolas públicas, escreveu quatro livros e há mais de 20 anos é colunista do Jornal Folha de Itapetininga. “Só aposento quando São Pedro chamar”, brinca sorrindo o intelectual.

 

Mora na Rua Dr. Coutinho há décadas, numa época em que parecia estar mais perto da linha ferroviária da cidade, outra de suas grandes paixões. Dirceu nos recebeu junto com sua esposa, Ercília Rodrigues Campos, de 78 anos, numa tarde de terça-feira. Lá nos contou sobre todos os diplomas que coleciona: “Estudei Matemática, Ciências Naturais, Pedagogia, Ciências Contábeis, Direito e História. Queria fazer Jornalismo recentemente, mas infelizmente não enxergo tão bem quanto antes”, lamenta.

 

Nosso personagem nasceu em agosto de 1938, em Itararé. Veio com os pais ainda criança a Itapetininga, onde estudou, casou e trabalhou até mudar-se para São Paulo. “Moramos alguns anos na capital. Inclusive meu filho começou a trabalhar como ferroviário lá comigo. Mas depois que me aposentei voltei a Itapetininga por amor. Hoje se eu escuto alguém falando mal da cidade eu brigo, não olho mais na cara”, exclama.
Ainda adolescente fez o curso de telegrafista e começou a trabalhar na Estrada de Ferro Sorocabana (EFS). “Tinha uma grande responsabilidade, por isso caminhava com orgulho pela estação vestindo meu quepe azul marinho de telegrafista. Hoje sinto saudade e tristeza por ver a ferrovia sucateada e abandonada”.

 

PRESIDIÁRIO
Fato de extrema relevância na trajetória de Dirceu como ferroviário foi sua prisão durante a ditadura militar. Um ano antes do início do regime, Dirceu e outros colegas incitaram uma greve geral de 20 dias pedindo redução na jornada de trabalho. “Trabalhávamos 12 horas por 12 com apenas uma folga na semana. Achava isso injusto, pois de tão cansados acabávamos cometendo erros, o que nos custava multas”, diz.
Com a implantação do regime, já em 1964, Dirceu foi alvo de investigação do DOPS (Departamento de Ordem Política Social). Na mesma época perdeu uma filha ainda bebê devido a uma moléstia. Como nada é tão ruim que possa piorar, Dirceu acabou sendo preso meses depois, em abril de 64, em resultado da greve.
“Procuraram em casa por armas ou documentos que me ligassem ao movimento comunista. Não acharam nada, contudo me levaram à cadeia de qualquer jeito. Foram 24 dias de cárcere, onde experimentei a tristeza, vergonha e desespero”, recorda.
Mesmo em liberdade, Dirceu continuou sendo investigado pelo governo. Fato que só acabou na década de 1980, diz ele. Em 2014, Dirceu foi o único itapetiningano a receber uma placa de homenagem pela Comissão da Verdade, grupo do Governo Federal que pôs a limpo os números da ditadura. 

 

CICLISMO
Além de Itapetininga, ferrovias e estudos, outra paixão de Dirceu é o ciclismo. É mais fácil achar algo que esse ‘velhinho’ não goste, do que o oposto. “Só não gosto de futebol e novela. Acho uma perda de tempo”, brinca.
Foi campeão da modalidade em Itapetininga entre 1952 a 1957. “Viajava em estrada de terra, de Itapetininga a Alambari. Até pouco tempo saía de bicicleta pela cidade, mas ano passado minha filha me impediu por questão de segurança, infelizmente”, comenta.

 

FAMÍLIA
Diante de tantos feitos, a esposa de Dirceu, Ercília, só tem um sentimento: orgulho. “Tenho ele como uma inspiração. Além de inteligente e esportista, é um excelente pai e um bom marido”, diz. Para a convivência de mais de 50 anos, Ercília dá uma dica: “É preciso ter amor. E muita paciência (risos)”.
O casal tem os filhos Dirceu Campos Filho, de 55 anos, Maria Cecília Campos, também de 55, e a caçula Miriam Campos Domingues, de 49. A última seguiu a mesma vocação intelectual do pai, já tendo quatro diplomas universitários. “Ela é meu braço direito. Sem ela não consigo nem escrever minhas colunas na Folha. Meu ultimo livro foi escrito com ela”, frisa o ex-ferroviário.
Dirceu, o ‘velhinho’ 1001 utilidades nos dá um exemplo de que nunca é tarde para começar. Já aposentado, ao invés de dedicar-se ao descanso, dedicou-se à vida. No conhecimento encontrou um motivo para viver e faz isto até hoje. Se isto não é Top, já não sei o que possa ser!

 

ESCREVER.... 
Escrever livros é uma atividade difícil no Brasil. Muitos têm o desejo, mas esbarram nos obstáculos. Dirceu, não! Já está em 4º livro.
O mais recente, “Histórias que o tempo conta”, lançado em março último, é um convite a viajar pela história de Itapetininga, de seus personagens e fatos mais marcantes...
É autor de mais de 1.000 artigos já publicados no jornal Folha de Itapetininga. 
Dirceu Campos é uma poesia... uma luz a iluminar o prazer de uma boa leitura.

Educação

Sobre o que é este item? O que há de interessante nele? Escreva uma descrição cativante para chamar a atenção do seu público...

Comer bem: Sentir-se Bem

​Uma alimentação saudável proporciona qualidade de vida, pois faz nosso corpo funcionar adequadamente respondendo a todas as funções e é uma das melhores formas de prevenção para qualquer doença. Leia sobre esse asunto

Please reload

©2018 desenvolvido por Gustavo Matheus