Doença das artérias carótidas:

uma das principais causas de derrame

no mundo moderno

O acidente vascular cerebral (AVC, também conhecido pelo termo leigo “derrame”) é a principal causa de morte no Brasil atual, situação que se repete em alguns países desenvolvidos. Dentre os tipos de AVC, o mais frequente é o embólico, e ocorre de duas formas: na primeira, um fragmento de sangue coagulado se forma no coração (êmbolo), e, viaja pelos vasos sanguíneos até o cérebro. Na segunda, uma placa de aterosclerose se forma na artéria carótida (vaso sanguíneo situado no pescoço e que leva sangue ao cérebro) e eventualmente se rompe, lançando fragmentos de sangue coagulado, cálcio e colesterol na direção dos vasos cerebrais. Em ambas situações, os fragmentos e êmbolos obstruem uma ou mais artérias do cérebro, que sem receber sangue, sofre a morte de parte de suas células. A estenose (estreitamento) das artérias carótidas ocorre pela formação da chamada aterosclerose. A aterosclerose é uma degeneração gradual da parede das artérias, cujas principais causas são: Hipertensão arterial (pressão alta), diabetes, tabagismo, idade avançada (acima de 75 anos) e colesterol alto. A aterosclerose provoca uma obstrução progressiva das artérias, fazendo com que o espaço para a passagem do sangue fique cada vez mais estreito, e podendo chegar à oclusão (entupimento) total. Nas artérias carótidas, porém, existe ainda um componente mais grave: A força da passagem do sangue, pode romper a placa de aterosclerose, fazendo com que seus detritos alcancem a circulação cerebral e provoquem o derrame.

 

SINTOMAS
A doença carotídea é traiçoeira: pode passar desapercebida por vários anos, e o seu primeiro sintoma pode ser justamente o AVC. Na sua forma mais comum, o AVC provoca uma súbita perda dos movimentos em um lado do corpo (braço e/ou perna), e eventualmente perda da fala, mas pode ser até mesmo fatal. Tais sintomas podem se reverter total ou parcialmente com o tempo, ou deixarem sequelas graves.

 

CONFIRMANDO A PRESENÇA DA DOENÇA
O diagnóstico da doença carotídea começa na consulta clínica: a história clínica do paciente, análise dos seus fatores de risco e exame físico podem sugerir que a doença esteja presente, sendo o sopro carotídeo, um sinal clínico importante.O exame complementar inicial para confirmação da doença carotídea é o ultrassom-Doppler, um exame simples, sem o uso de radiação e que não requer preparação do paciente. Neste exame, o médico pode ver o estreitamento das artérias e medir a velocidade com que o sangue passa em seu interior. Quanto mais alta a velocidade, maior o grau de estreitamento. A tomografia computadorizada com contraste ou a angiografia (cateterismo) são exames usados para confirmar definitivamente a doença, e que também ajudam no planejamento do tratamento.

 

TRATAMENTO
O tratamento começa pelo combate aos fatores que provocam o aparecimento e progressão da doença: controle da pressão arterial, do diabetes, do colesterol alto e cessação do tabagismo. Medicações antiagregantes plaquetárias (que “afinam o sangue”) também são usadas.Para os pacientes com estreitamentos moderados e sem histórico de AVC, a escolha usual é o tratamento clínico medicamentoso. Mas para casos onde o estreitamento é muito severo, o ideal é corrigi-lo. Isto pode ser feito de duas maneiras, descritas abaixo:
Cirurgia convencional
Usualmente realizada sob anestesia geral, e o cirurgião vascular faz uma incisão (corte) no pescoço e remove cirurgicamente a placa de dentro da artéria carótida. É uma cirurgia que costuma levar de uma a duas horas.
Angioplastia com stent
Usualmente realizada sob anestesia local (associada a sedação), e o cirurgião vascular faz uma punção (perfuração) na artéria da virilha, chegando por meio de cateterismo até o pescoço. Coloca um “stent”, espécie de rede tubular metálica, que dilata o estreitamento da artéria, fazendo-a voltar ao tamanho original. A angioplastia costuma durar entre 25 e 45 minutos. Ambas as técnicas fazem com que o sangue volte a fluir normalmente pela artéria e o risco de AVC diminua substancialmente.

 

COMO PREVENIR A DOENÇA DA ARTÉRIA CARÓTIDA?
Evitar a vida sedentária e a obesidade, fazer exercícios regulares, visitar seu médico regularmente, controlar a pressão arterial e o diabetes quando presentes e não fumar são as principais medidas.Cada indivíduo ao desenvolver a doença carotídea aterosclerótica, apresenta inúmeras possibilidades de apresentação clínica, alterações anatômicas e diferentes doenças associadas. Logo, a decisão mais adequada das modalidades e técnicas de tratamento a serem adotadas, após avaliação de suas vantagens e desvantagens, deve ser estabelecida pelo médico em conjunto com o paciente.

Dr. Caio Jubran Moura 
Angiologia e Cirurgia Vascular .

Rua Cônego Sizenando da Cruz Dias, 690
Centro - Itapetininga 

(15) 3273-1646

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