Minha mulher sempre fala que estava preparada para ser mãe de bebês. E acho que isto acontece com todas as mulheres: basta passar um tempo do casamento (ou da união estável, para ser mais justo e não tão tradicionalista) para as tias e mulheres mais velhas, e na maioria das vezes sem filhos, cobrarem o “para quando vem o herdeiro?”. Todos esperam por isto e o fato de ser mãe, gerando ou não, deve estar na alma feminina; não entrarei muito nesta seara por desconhecimento de causa e para evitar confrontos. De qualquer forma, na minha modesta opinião, é algo intrínseco, literalmente uterino, independente do fator cultural ou sócioeconômico.
E ela, minha mulher, continua: ser mãe de bebê é fácil, apesar das cólicas, diarréias, febres e das noites mal dormidas. Não pensem que para ela foi mais fácil; quando os meus moleques eram pequenos, o comportamento (e a angústia) gerados por estes pequenos males foi de uma mãe qualquer, mesmo sendo ela uma pediatra. Mas eles estavam sempre ali, embaixo das asas.... Que mulher não cria asas quando dá (ou recebe) a luz de uma criança? Asas às vezes tão grandes que sobra até para o companheiro.

 

O grande problema é que estas ferinhas crescem. E elas continuam mães, com asas, dentes e garras, agora para defender a cria. Duvido que não passaram pela fase de querer trucidar um coleguinha do pré que brigou com seu rebento ou de querer matar o(a) primeiro(a) namorado(a) pelo choro da primeira decepção amorosa.
Logo em seguida, estas ferinhas, tão bem cuidadas com talquinho na bunda e a base de suquinhos fortalecedores, questionam e começam a rejeitar as asas. Acham-se (podem rir agora, com uma pontinha de satisfação e de reconhecimento interno) independentes. Questionam, reclamam, protestam, ficam mudos (é a birra do adolescente) e o coraçãozinho da mamãe aperta... Ela sofre, mas com certo ar de vingança, porque eles sempre retornam para debaixo das asas quando o calo aperta.

 

Depois vem a época do vestibular e da faculdade. Elas sofrem. Pode ser da forma judia (eu me mato), italiana (eu te mato) ou resignada, mas todas de forma incondicional. Acordam cedo para que o bebê vá bem nutrido, passam sua roupa para que vá bonito, se preocupam com as viagens e as bebedeiras (dos amiguinhos, porque seu nenê é um santo) e às vezes passam necessidades pessoais para que tudo dê certo. Sofrem, mas com satisfação...
Na fase seguinte, os bebês têm filhos. As mães sofrem as dores de parto das filhas e também com o excesso de gastos das noras nestas horas de economia tão complicada. De qualquer modo, sofrem e desta vez em dobro.
Mais a frente elas se calam um pouco, mas os olhos continuam como os de coruja e as asas sempre prontas a abrigar, entendendo que talvez eles agora tenham crescido um tantinho. Mas o sofrimento continua, em silêncio....
Mas eu garanto que se perguntarem, todas responderão “eita sofrência gostosa...”
Por fim, deixo homenagem a três mães maravilhosas: Teresa, minha mulher, que me deu os melhores presentes que já recebi na vida; D. Dirce, minha sogra, que apesar de ser sogra foi uma segunda mãe e D. Guga, a minha, que fez tudo isto e mais um pouco e que continua com as asas abertas e as garras e dentes afiados (aconselho a não falar mal de mim para ela).
Feliz dia das Mães!!!!

Roberto Amaral

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Mulher!

Confesso que desta vez, mais do que nunca, tentei me esquivar do texto. Quando recebi o tema imposto pela Revista Top da Cidade pensei em esquecer, falar que estava muito ocupado, gripado ou até temporariamente desprovido de inspiração. Só pensei. Mesmo do ponto de vista da pretensa e imodesta vocação literária, missão dada é missão cumprida.

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