É assim que me refiro ao autor francês, nascido em 10 de julho de 1871. De um estilo próprio, poético, minucioso, despertou sua memória afetiva ao degustar uma madeleine acompanhada de uma xícara de chá de tília, e produziu uma obra espetacular onde a cada linha nos faz refletir sobre um assunto diferente, assuntos esses que permeiam nossos sentimentos, conduta e nos fazem questionar. Em busca do tempo perdido, produzida entre 1908 – 1909 e 1922, publicada entre 1913 e 1927 em 7 volumes (os 3 últimos postumamente), Proust em sua arte conduz seu leitor a uma experiência diferente na qual deve-se realmente concentrar e mergulhar em seus textos. Retrata a sociedade fidedignamente por ser observador e detalhista. 


Mas, afinal, qual o tempo que perdemos? O que buscamos? Nosso amigo revive suas lembranças, dores e amores através de personagens que de fato existiram, apenas foram adaptados. Através da literatura, podem-se trazer para a realidade latente as questões pertinentes ao comportamento, aos dramas em que se vive. Afinal, os contextos se repetem. Podemos perceber claramente que o que muda é apenas o cenário. Encontramos o prazer da leitura, onde a reflexão sobre o que se está sendo proposto vai de encontro a um mergulho no Eu interior. Perde-se tempo quando o presente não é vivido com atenção plena. Faz-se tudo em corrida contra o tempo. Corrida essa louca e desenfreada para chegar a lugar nenhum. Porém diz-se necessário da boca para fora. O percurso tem sido incerto e disperso. As atitudes estão fora de uma programação coerente com o que se pode trilhar. Mensagens no celular, respostas rápidas, o tempo não para. O dia encerra, o cansaço toma conta de um tumulto de emoções que não foram computadas na lógica da mente. A tecnologia está presente para poupar o tempo, e enquanto as máquinas trabalham, seus usuários devem estar utilizando seu TEMPO da maneira mais útil possível e a seu favor. Uma reflexão sobre as atitudes de conduta vividas no dia, um bom livro, relações com os familiares em harmonia, contato com a natureza e o recolhimento: silêncio necessário para construção e reequilíbrio de uma postura benéfica. Conexão sábia de equilíbrio. Viver o momento presente é estar atento no exato agora da vida.


Reflexões inexistentes e assim, daqui a pouco se inicia tudo novamente e quando 'acorda' o ano acabou e Papai Noel está em seu HO-HO-HO. É, a data está novamente aí para lembrarmos que a busca é na evolução intelectual e moral. Os desencontros com o tempo ocorrem porque não há encontro com o EU. 


Nessa virada próxima de ciclo esperam-se renovações. Renovações essas que fazem parte do crescimento desejado. A cada nova fase uma esperança de luz, reflete ao redor dos caminhos a trilhar. As transformações são necessárias. Pois como disse Albert Einstein é insano continuar fazendo a mesma coisa e esperar resultados diferentes. Desde já, momento presente, o agora é a hora de iniciar uma transformação e de fato ser feliz. Novo ano, novos planos e projetos. Esperanças de um novo amanhã.
Observador do comportamento humano, Proust expressa em um de seus diálogos: " é que sempre estamos ocultando o que sentimos; Disfarces ocultam a alegria dos dias. Tempo é verdade, realidade. O que passou não importa mais. Sem culpa, sem julgamentos. Presente – Nova fase – Novo momento. A bagagem é experiência do tempo em que viveu. O presente o que se constroi.
“Ainda assim, mesmo do ponto de vista da simples quantidade, em nossa vida os dias não são iguais. Os dias, os temperamentos um pouco nervosos, como era o meu, dispõem de automóveis, de “velocidade” diferentes. Há dias acidentados e a gente leva um tempo infinito a transpor, e dias em declive que se deixa a toda velocidade cantando”.

Nosso amigo Marcel Proust

©2018 desenvolvido por Gustavo Matheus