Mulher

por Roberto Amaral

Confesso que desta vez, mais do que nunca, tentei me esquivar do texto. Quando recebi o tema imposto pela Revista Top da Cidade pensei em esquecer, falar que estava muito ocupado, gripado ou até temporariamente desprovido de inspiração. Só pensei. Mesmo do ponto de vista da pretensa e imodesta vocação literária, missão dada é missão cumprida.
Procurei um ponta pé inicial, ou pelo menos como levantar a bola, e lembrei da música da Rita Lee que diz que “mulher é bicho esquisito, todo mês sangra...”. Em hipótese nenhuma poderei ser acusado nestas circunstâncias de chauvinismo, até porque a autora da frase é uma mulher, senão uma das que mais contribuíram para a liberdade e igualdade feminina (além de fazer toda minha geração compreender o que é se sentir uma ovelha negra ou mesmo ficar muito odara). Então, mulher é bicho esquisito (!). E posso falar até com certa “expertise”, dada a minha convivência diária com muitas delas sob o ponto de visa profissional. 

 

Na famigerada guerra sexista perdemos na largada no quesito inteligência emocional. Mulher come pelas beiradas e se antecipa nas perguntas para ouvir as respostas que quer; praticamente o induz a responder o que deseja, para mais tarde poder cobrar (não pense que escapará disto). Finge-se de morta com olhos abertíssimos e ouvidos aguçados (esqueça senha do celular, ela sabe). Faz de conta que nem está aí para o assunto em questão, mas daqui a dez ou vinte anos ela irá estampar isto na sua testa. Concordará com você naquilo que não concorda só para poder enviar a fatura da sua conta depois. Se o homem chega junto é abusado; se “é lento”, não tem pegada. E assim por diante. É ou não é um bicho esquisito?
E para nós, homens, reles mortais desprovidos da tal inteligência emocional e meros amadores no quesito sedução (alguém duvida que elas também ganham disparadamente, fingindo-se de seduzidas?) a situação fica difícil. Somos mais organizados, temos mais visão temporo-espacial, sabemos a diferença entre direita e esquerda, mas esta vantagem cartesiana fica muito aquém. Então, sabiamente, nos resta conviver e aprender com esta diferença que se faz tão igual entre os sexos. Diferenças que, para ambos, devem ser somadas em prol da igualdade real e não usadas para uma competição mais que idiota, como querem alguns e algumas. Homens são XY e mulheres XX (exclusivamente do ponto de vista cromossômico, não estou discutindo gênero); portanto, não são iguais. Mas isto não quer dizer que um é melhor do que o outro.... e esta diferença, tão igualitária, é fundamental para tudo que vem aí neste século XXI.

 

E para começar, falemos de respeito.
Não é não e acabou!!!! Não serviu só para o carnaval 2018. Deveria ter sido sempre respeitado. Entenderam, homens? Não é não. E acabou!!! Mas lembrem-se, mulheres, que a conta disto não é nossa, e sim dos nossos antepassados (não é hora de cobrar – vide acima). Não procurem o mesmo caminho da desinteligência competitiva, ou pior ainda, do ressentimento carente de razão. Quando um galanteio (evitei usar a palavra cantada) inteligente e divertido foi mal vindo?
Se persistirmos nesta competição, toda vez que ouvirem que mulher é bicho esquisito, todo mês sangra, os machões raízes responderão: como confiar num bicho que sangra todo mês e não morre?

Roberto Amaral

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Confesso que desta vez, mais do que nunca, tentei me esquivar do texto. Quando recebi o tema imposto pela Revista Top da Cidade pensei em esquecer, falar que estava muito ocupado, gripado ou até temporariamente desprovido de inspiração. Só pensei. Mesmo do ponto de vista da pretensa e imodesta vocação literária, missão dada é missão cumprida.

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