Museólogo

por Carlos Eduardo dos Santos

Nas muitas rotações e translações desta nossa terra, o destino nos prega convulsões, fazendo com que famílias mudem de local para melhor viver em outros recantos desta nossa terra tão linda.
Alfredo Spada, um jovem idealista, desenhista e projetista do DER de Piraju, sonhava com a liberdade nos ares. Voar era seu intento, sabedor de uma escola de pilotos para aviões em Itapetininga, escondido de seus pais, solicitou sua transferência para esta cidade. Logo o desejo foi realizado. Seu pai, Felício Spada, também trabalhador no DER, não querendo separar a família, solicitou transferência rumando para longe dos parentes e amigos queridos.

 

Deixamos as saudades nos brindar com suas lamúrias, e vamos fazer com que a vida nos seja mais amena... É a coragem para explorar novos horizontes, é o ímpeto aventureiro que emana em nosso inconsciente tornando presa fácil para as aventuras.
Esta é a história de um arrojado jovem, o Alfredo Spada, nascido em Ipauçu, mas, ele com sua família morando em Piraju, filho de um mestre de obras do DER, senhor Felício Spada.
Alfredo, mesmo a contragosto da família vivia no aeroclube de Itapetininga que tinha um belo campo de pouso, dois hangares e uma casa para o segurança. Lá ele conseguiu tirar seu brevê, apto a fazer voos com o teco-teco, passou a ser instrutor de voo. Sua índole era máster, seu objetivo foi alcançado, conseguiu a duras jornadas a conquista do espaço, o que o autorizava a usar de um avião para seus voos.

 

Todo complexo era instalado em um terreno plano, sem calçamento, apenas terra batida, localizado atrás do cemitério São João Batista.
Alfredo Spada, aos vinte e três anos casou-se, teve dois filhos. Ostentava uma vida agitada, cheia de aventuras ao livre espaço aéreo onde ele se divertia, era assim sua vida. Em um dia que começava ensolarado, aquele sol forte parecendo ter vindo apenas para sagrar um rei, esse dia ficou triste, o avião em uma manobra deficitária, um looping, veio a se acidentar, entrando em colisão com a terra bem ao final de seu campo de pouso. Aos vinte e seis anos, na flor da idade, no dia vinte de julho de mil novecentos e cinquenta e oito, Alfredo nos deixou junto a seus dois filhos, Luiz Antonio e João Alfredo e a jovem esposa Diva.  Deixou também muitos amigos. Algum tempo se passou e em Itapetininga o aeroclube fechou.

 

Alfredo Spada é o meu cunhado que só o conheci por fotografias e comentários de familiares. Ele correu atrás do que queria e atingiu seu objetivo antes de nos deixar. Esteja você onde estiver, deve estar feliz, foste um vencedor.


 

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