Conheça a médica que salva a vidas

de bebês ainda dentro do útero.

Foram anos dedicados aos estudos para que hoje dra. Natália Carvalho, ginecologista, obstetra e médica fetal, pudesse fazer a diferença em centenas de famílias, muitas vezes salvando bebês que ainda estão no ventre de suas mães. “É muito gratificante. Valeu a pena todos os anos de esforço quando você recebe um depoimento de agradecimento de uma mãe. Recebo muitos, pois são dezenas de atendimento todos os dias. Isso não tem preço”, exalta a médica.

   

  Natália é itapetiningana, tem 34 anos e é casada com o advogado paulistano Bruno Prestes. É formada em Medicina pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), fez duas residências na mesma universidade, primeiro em ginecologia/obstetricia e depois em medicina fetal. Também fez mestrado e doutorado na Unifesp.

 

“Não sou uma pessoa ‘super inteligente’, o que fiz foi me esforçar muito. Quando os jovens me perguntam sobre como passar no vestibular, não tenho segredos: estudar, estudar, estudar”

Dra. Natália Carvalho

 

  E toda essa trajetória de sucesso começou aqui em Itapetininga. “Fiz até a 5ª série no Peixoto Gomide, depois estudei no GMM [Geraldo Martins de Melo, já extinta] onde realmente peguei gosto pelo estudo. Fiz até o ensino médio, quando me mudei para o Colégio Imaculada Conceição”, conta.

 

Desafio Vestibular

  Natália começou a sonhar com medicina ainda na 6ª série. “Desde então não queria outra coisa, senão medicina”, disse. Mas para ter acesso ao curso precisava antes passar num vestibular de uma universidade pública. “Minha família jamais teria condição de pagar pela mensalidade”, afirma.

   Tentou pela primeira vez logo após concluir o 3º ano do ensino médio. “Fiquei depois de 1 mil candidatos. Me senti muito frustrada e triste. Decidi então que no ano seguinte passaria a qualquer custo”, lembra.

  E conseguiu com louvor. No ano seguinte, conseguiu acesso a cinco universidades: USP (Universidade de São Paulo), Unifesp, Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Unesp (Universidade Estadual de São Paulo), Famema (Faculdade de Medicina de Marília) e Famerp (Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto).

   “Na época ganhei até um prêmio da Câmara pelos resultados”, conta. Mas tamanho sucesso veio somente depois de muito trabalho. “Fiz um ano de cursinho no Anglo Tamandaré, em São Paulo, que ganhei como bolsista. Estudei 12 horas por dia durante esse ano para passar. Lembro que no meu aniversário minha mãe e irmã foram até São Paulo e me levaram um bolo para comemorar. Logo depois de comer um pedaço e cantar parabéns tive que ‘expulsá-las’ para continuar estudando (risos)”, recorda.

   “Não sou uma pessoa ‘super inteligente’, o que fiz foi me esforçar muito. Quando os jovens me perguntam sobre como passar no vestibular, não tenho segredos: estudar, estudar, estudar”, aconselha a médica.

 

Cirurgias intra-útero

O tema de seu doutorado, defendido em agosto deste ano, foi “Avaliação Histológica da Membrana Fetal de Fetos Submetidos a Cirurgia Fetal Para Correção de Mielomenigocele”. Parece complexo e, apesar de realmente ser, ela explica: “A mielomenigocele é uma má formação da espinha dorsal do feto, que entre tantas complicações causa hidrocefalia no bebê. Meu trabalho foi avaliar como está sendo possível os bons resultados das operações desses fetos ainda no útero da mãe”, afirma.

 

  “Aqui sou mais útil. Enquanto que em São Paulo já havia toda uma estrutura médica, em Itapetininga posso trabalhar diretamente com os casos mais difíceis e dar uma boa assistência para mais pessoas, melhorando a história de centenas de famílias”

Dra. Natália Carvalho

 

Sim, os médicos da Unifesp chegam a operar bebês ainda dentro do útero das mães. Natália ainda não realiza essas cirurgias, mas enquanto estava em São Paulo e agora em Itapetininga realiza os exames e encaminha pacientes para estas cirurgias. “Na cidade e região sou a única médica com essa especialidade. Só em Sorocaba é que temos outros profissionais da mesma área”, comenta.

“Já encaminhei ao meu professor de São Paulo uma mãe da nossa cidade que tinha uma filha com mielomenigocele. Ela passou pela cirurgia e hoje a criança está com 3 anos, não teve hidrocefalia. A mãe, inclusive, há alguns meses me mandou um agradecimento pelo celular. É emocionante”, ressalta.

 

Por que Itapetininga?

Como então que, apesar de um currículo tão invejoso, Natália decidiu viver e trabalhar em Itapetininga?  A decisão aconteceu pouco antes do casamento. “Ele [Bruno] queria morar no interior. Estávamos cansados do trânsito, custo de vida e outros problemas de São Paulo. Nesse caso, como queríamos vir para o interior, não fazia sentido me mudar para outra cidade senão Itapetininga, onde toda minha família está e onde podemos ter uma excelente qualidade de vida”, destaca.

  Se pessoalmente aqui Natália sentiu-se realizada, o mesmo podemos dizer no âmbito profissional. “Passei no concurso para trabalhar no AME , na prefeitura e trabalho também na Clínica Opima. Atendo cerca de 150 pessoas por semana, tanto no particular como público, sendo praticamente metade das cidades vizinhas: Alambari, Itapeva, Capão Bonito, São Miguel Arcanjo, até Sorocaba.”

  “Sinto que aqui sou mais útil. Enquanto que em São Paulo já havia toda uma estrutura médica, em Itapetininga posso trabalhar diretamente com os casos mais difíceis e dar uma boa assistência para mais pessoas, melhorando a história de centenas de famílias”, completa a Médica Top, que é motivo de orgulho para Itapetininga.

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