É hora de se amar

Atualizado: Ago 23

Venho percebendo que cada vez mais há uma grande dificuldade por parte - principalmente dos adolescentes, mas também de adultos e até mesmo infelizmente de crianças - em se amar e ter um alto grau de autoestima.


Talvez por conta de todas as expectativas da sociedade impostas sobre nós desde muito cedo; se formos analisar, as mídias sociais a cada dia que se passa ganham mais poder e influência sobre nós; crianças e até mesmo bebês estão cada vez mais expostos na internet, existe cada vez ainda mais mentiras e uma idealização de uma vida muitas vezes impossível no cyberespaço.


A romantização do ideal do que seria uma pessoa de sucesso vem crescendo sempre, tornando se ainda mais irrealista e cruel. Muitas vezes levando os outros a se comparar, e geralmente com uma vida falsa.


Todavia, percebo também o quanto se parece mais normal e aceitável se diminuir do que ter confiança e amor próprio, o que é preocupante. Todos estão sempre postando e falando sobre isso, que devemos nos amar, que somos pessoas incríveis e maravilhosas tanto externamente quanto internamente, e que é o interior que importa.


Porém, é muito comum que façam piadas e diminuam uma pessoa quando ela começa a se amar; está sendo "arrogante", "metida", eles dizem. Mas o que é isso? Não se pode mais reconhecer seus méritos? Beleza? Ser orgulhosa? Agora a pessoa saber se valorizar virou sinônimo de algo ruim, porque dói, machuca e corrói de inveja o que não tem.


Não acredito que seja por mal isso, muitas vezes este nem percebe suas ações, pois somos expostos à um mundo de julgamentos e depreciação do outro, de inveja e corrupção desde que nascemos, enraizados em nós mesmo e em nossa cultura. Claro, muitos conseguem se libertar dessas amarras da sociedade e ver as coisas de outras formas, mais empáticas e gentis, compreensivas; no entanto, mesmo estas não são perfeitas, ninguém é perfeito, porém todos querem ser e é aí que se peca.


Em um período de pandemia, onde somos obrigados a ficar em nossas casas, parece que nossa autoestima acaba por desaparecer por inteira. Nos sentimos mal e culpados por não podermos fazer nada, exaustos e desanimados, com milhares de pensamentos rondando a nossa mente em alta frequência e sem conseguirmos nos concentrar em nada ou fazer algo que queremos.


Muitas vezes nem de nos arrumar temos vontade, ou força para sair da cama. Nossos hobbies e gostos passam a se tornar cansativos, aulas e empregos esgotam o resto de energia que temos; as pessoas se tornam mais estressadas e muitas estão se sentindo completamente tristes e te despedaça não poder ajudá-las, não saber como o fazer.

Você tenta se obrigar a ser produtivo como antes, e esquece-se que uma pandemia não é um momento de ser produtivo. Claro, se você quiser pode ser, mas não deve sentir-se obrigado a isso, pressionar-se a se sentir bem. Isso só piora a situação.

Está sendo difícil para todos se amar durante essa época, parece que somos fantasmas, miragens, resquícios do nosso "eu" do início do ano.


Todavia, eu tenho fé de que em algum momento - espero que não tão longe - as coisas irão voltar um pouco ao normal; um pouco porque é impossível que as coisas sejam como antes, acho que nem seria bom isso, fingir que nada disso aconteceu, parece fraco e que você não aprendeu nada. E nós conseguiremos melhorar essa questão do amor próprio, irá se falar mais e trabalhar seriamente nisso.


E quem sabe, com tudo isso, as mídias sociais comecem a ser realmente sinceras, os sites e a tv comecem a realmente se preocupar com isso, as comparações e expectativas diminuam e com isso possamos melhorar como pessoas e fazer com que as futuras crianças não sofram tanto nesse mundo crítico e cruel de padrões impostos que nós mesmo criamos.



Por Maria Luiza Weiss





















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