A primeira e última lágrima

Atualizado: Abr 24



O tempo amanheceu ventando, chuvoso e frio. Abro a janela e olho aquele pedaço de rua, sem uma viva alma, mas fiquei por mais tempo olhando aquele espaço como se quisesse lembrar de algo, que o pensamento revivesse no passado. Momentos de segundos se passaram, parecia com que voltava ao passado da infância, da adolescência, dos jovens amigos e das brincadeiras, dos jogos, das traquinagens, de algumas brigas e de muitos castigos impostos pelos meus pais.


Naquele instante, os olhos, que estavam fechados pelo pensamento, se abriram, e uma pequena lágrima rolou pela minha face e se confundiu com as pequenas gotas de uma chuva que batia em meu rosto. Fechei a janela, saí sem olhar para trás, porque o que lembrei era passado e jamais essa juventude voltaria a acontecer, pois a idade e a velhice já faziam parte da vida.

Mas na sequência do pensamento, outros fatos rolaram pela mente. Fui somando e analisando, conversando comigo mesmo ora sorrindo, ora triste ou nostálgico.

Caminho para a sala com o pensamento ainda amortecido e esfumaçado pela lembrança, quando acordo espantado com a força de um raio que se fez presente da luz e do estrondo. As luzes da sala piscaram, apagaram e logo se acenderam. Olhei firme para aquela luz e senti uma enorme saudade da minha vida.

Nesse momento, uma nova lágrima rolou pela minha face: foi a última daquele dia de recordações.



Por Roque Rolim Guilherme




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