Arte como cura por Malu Weiss

Atualizado: Mar 17

2021 começou e já é um novo ano recheado de incertezas e medos. Apesar das vacinas terem chegado, o vírus não foi embora e muitas pessoas não estão sabendo lidar ou aceitar isso.

Aulas híbridas afetam-nos cotidianamente, temos saudade de abraçar nossos amigos ou de poder sair livremente para o shopping ou ainda, fazer uma viagem sem precisar ficar o tempo todo de máscara; além de, claro, sentirmos falta de ter uma conversa leve com um colega sem acabar, quase que automaticamente, citando que mais uma morte ocorreu de manhã. Nós temos saudade de viver nossas vidas normalmente!

E o mais frustrante, talvez, sejam aqueles que não respeitam a pandemia, enquanto alguns sofrem e passam raiva para se protegerem, outros ignoram completamente e ainda se consideram corretos por isso.

É compreensível quem quer fingir que a doença nunca existiu, porém há certos limites que não devem ser ultrapassados, como os protocolos de segurança, o respeito e a empatia. Há também indivíduos que acabam se fechando dentro de si mesmos e em suas dores, o que pode acarretar em transtornos psicológicos e alguns acabam por se perderem entre seus sonhos, devaneios e a realidade, sem poder discernir o onírico do que realmente foi vivido.

Uma forma de se amparar ante a todas essas tragédias e sentimentos conflituosos, a insegurança do que ainda pode vir a acontecer, é com certeza a arte. Seja criando ou apenas lendo ou apreciando uma canção, a arte é o que nos salva diante do caos.

Contudo, como encontrar inspiração nessa situação? É difícil, afinal, como é comprovado pelas escolas literárias por exemplo, tudo o que criamos é cercado por características da época em que fora feito. E estando em uma pandemia, é de se admirar que saia algo feliz e divertido de nossas mentes e cernes; e nem sempre temos vontade de criar algo sob a perspectiva dos sentimentos que nos rodeiam — ainda que o fazer nos ajude a desabafar e livrar relativamente o nosso coração dos mesmos.

Como consequência de todos esses dramas e confusões, surge o bloqueio; e sempre pensamos que não há como quebrá-lo, pois não há esperança de que as coisas melhorarão. Todavia, estamos mesmo certos disso? O fato de estarmos tentando sobreviver, de nosso cérebro estar criando mecanismos de defesa (talvez não os melhores), de estarmos pintando, lendo, jogando ou escrevendo, isso não é ter esperança de que coisas boas estão por vir?!

Criar é o que nos move e o que nos deixa vivos, a arte é o que faz com que a vida valha a pena. E apesar do momento horrível e perturbador que vivemos, precisamos encontrar ainda um pouco mais de força dentro de nosso íntimo e nos segurarmos nesse vigor que sempre emanou dentro de nós para podermos fazer arte, fazer com que a vida continue louvável aos nossos olhos em meio às agonias e continuar lutando eternamente.













Por Malu Weiss

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