Chamas

Atualizado: Abr 23


Quatro velas estavam queimando calmamente. O ambiente estava tão silencioso que se podia ouvir o diálogo entre elas.


A primeira, expandindo a sua chama, disse: Eu sou a paz. Peregrino pelas estradas do sentimento, buscando morada no coração dos homens. Viajo pelos campos devastados pelas guerras e canto a minha canção aos ouvidos dos que ainda persistem nas batalhas cruentas.

Penetro os lares e espalho o perfume da minha presença. Devo admitir que apesar da minha luz, as pessoas não têm conseguido me manter acesa. E, diminuindo sua chama, devagarzinho, apagou-se totalmente.


A segunda, mostrando o colorido da sua chama, falou: Eu me chamo fé. Tenho me sentido supérflua entre os homens.

Eles se encontram cheios de tanta tecnologia e conquistas que não me escutam. Não querem saber de Deus e das verdades espirituais. Insistentemente, tenho batido às portas da razão humana, demonstrando que sem a minha luz, logo, logo, quedarão em trevas densas e sofridas. Porque eu sou a chama que se apresenta quando o desengano aparece. Sou a luz que brilha na noite da desilusão. Sou a companheira dos que padecem agruras sem conta.

Mas, como tenho sido rechaçada, não faz sentido eu continuar queimando. Ao terminar sua fala, um vento bateu levemente sobre ela e a chama se apagou.


Baixinho e triste, a terceira se manifestou: Eu sou o amor! Não tenho mais forças para queimar. As pessoas me deixam de lado, porque tudo é mais importante do que eu: a carreira, os prazeres, as coisas materiais. Os homens só conseguem enxergar a si próprios, esquecendo até dos que estão à sua volta. Dito isto, o amor recolheu a sua chama e se apagou.


De repente, entrou uma criança. Olhou as três velas apagadas e falou, espontânea: Que é isso? Vocês devem ficar acesas e queimar até o fim!


Foi daí que a quarta vela, que havia permanecido queimando, sem nada dizer, falou: Não tenha medo, criança. Nem se preocupe. Enquanto a minha chama estiver acesa, podemos acender as outras velas.


Então a criança apanhou a vela da esperança e acendeu novamente as velas da paz, da fé e do amor.


A esperança é a virtude através da qual o cristão confia em receber a misericórdia de Deus na Terra e a plenitude espiritual após a morte do corpo físico.


A vida, sem a esperança, perde o colorido e as suas elevadas motivações porque é a esperança que concede forças para enfrentar os desafios e vencer as vicissitudes que surgem a cada passo.


Ninguém consegue viver com alegria sem o concurso da esperança. Esperança de melhores dias. Esperança de realizações superiores. Esperança de paz. Esperança de fé. Esperança de amor. Esperança de elevação.


A esperança faz claridade que ilumina o caminho. Com esperança, o homem aprende a ver o lado melhor dos acontecimentos, não se permite o insucesso e não receia repetir a experiência.


Redação do Momento Espírita, com base no texto Chamas, de autoria ignorada e com pensamentos finais da

Apresentação do livro Momentos de esperança,

pelo Espírito Joanna de Ângelis, psicografia de

Divaldo Pereira Franco, ed. Leal. Em 4.7.2013.



Ivan de Paula Apresentador do programa Universo do Bem, exibido semanalmente pela TVI




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