Diva Straub Leite: O bailado no Brasil parte final



Maria Olenewa adquiriu a cidadania brasileira em 1º de abril de 1935. Foi afastada injustamente do cargo alguns anos depois, sendo convidada pelo prefeito Prestes Maia, em 1943, para dirigir a Escola de Bailados da Prefeitura Municipal de São Paulo.

Fixou residência na capital paulista, permaneceu até 1948 na direção da referida Escola quando resolveu montar sua própria Academia, à Rua Rego Freitas, no bairro da Consolação.

De 1948 a 1965 (38 anos) ensinou a mais de seis mil bailarinos, destacando-se: Madeleine Rosay, Itália Azevedo, Carlos Leite, Leda Yuqui, Tamara Capeller, Berta Rosanova, Edith Pudelko, Arthur Ferreira, Dorinha Costa, Victor Aukstin, Lia Marques, Yara Rossi Bruna Petrovsky, Maria Pia Finocchio, Neide Rossi, Doris Dowon, Norma Masella e Manuella Leite.

Esta última continuou o trabalho da mestra após sua morte.

Em 1952, comemorou 25 anos dedicados ao magistério de dança clássica – jubileu de prata – no Teatro Santana com um espetáculo inesquecível.

Em homenagem ao IV Centenário de São Paulo (1954) apresentou o bailado “Evolução”.

Voltou ao Rio de Janeiro convidada pela direção artística do Teatro Municipal para a montagem do ballet: “Mozorlinna” (1948), recebendo grandes homenagens e reconhecimentos, pela crítica especializada, amigos, admiradores e ex-alunos.

No dia 15 de maio de 1965, constatando que estava doente e desenganada pelos médicos, atirou-se da sacada de seu apartamento. Seu corpo bateu numa saliência do andar de baixo e depois estatelou-se na segunda laje da sobreloja.

De algum tempo anterior a essa data, Maria Olenewa vinha se queixando de constantes dores na coluna vertebral. No início do mês seu estado de saúde se agravou, obrigando-a a permanecer no leito. Inconformada com a situação, num momento de desespero, pôs fim à sua existência.

Coreografias mais importantes:

·Festa do Arraial – 1932; música de Francisco Braga;

·Na Floresta Encantada – 1932; música de Ernani Braga;

·Caixinha de Boas Festas – 1932; música de Heitor Vila Lobos;

·A Paz – 1934; música de Francisco Braga;

·Imbapara – 1934; música de Lorenzo Fernandez;

·Boneca de Pixe – 1929; música de Gonçalves Octaviano;

·Les Pommes de Voisen – 1937; música de Elpídio Pereira;

·Amaya – 1939; música de Lorenzo Fernandez;

·Maracatu do Chico Rei – 1939; música de Francisco Mignone;

·Dança Geométrica – 1939; música de Gonçalves Octaviano;

·Pedras Preciosas (da Ópera Tiradentes) – 1941; música de Eleazar de Carvalho;

·Ondenas – 1939; música de Gonçalves Octaviano;

·As Garças – 1942; música de José Siqueira;

·Festa Dionisíaca – 1944; música de Francisco Mignone;

·Serenata – 1948; música de Alberto Nepomuceno;

·Quatro Estações – 1951; música de Arthur Angelis;

·Cidade dos Brinquedos – 1952; música de Laura Figueiredo;

·Evolução – 1954; música de Carlos Gomes Savino de Benedictis (Propofol).


Maria Olenewa foi um exemplo de abnegação à Arte, empenhando muitas vezes suas próprias joias para manter seus bailarinos mais necessitados (declaração de seu esposo, Mounsieur Pierre Klasco). Foi-lhe erguido um monumento em sua homenagem numa praça próxima ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro, pela FUNTERJ.










por Diva Straub Leite








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