E se 2020 não houvesse existido?



Essa é a vontade de todos, não? Que 2020 não tivesse existido, ou a pandemia pelo menos. Todos pensamos que provavelmente teríamos aproveitado mais para sair com amigos, estudado mais, viajado e conhecido novos lugares, teríamos talvez mais dinheiro, um curso novo... muitas coisas que poderíamos ter feito.

Todavia, será que realmente não podemos tirar nada de bom desse ano catastrófico? Acredito seriamente que 2020 foi o ano para refletirmos sobre tudo e todos; sobre o que estávamos fazendo com as nossas próprias vidas, as pessoas que colocamos nela e o que aceitávamos de tudo que acontecia.

Os nossos hormônios parecem estar à flor da pele e TUDO é motivo para sentirmos demais, seja em alegria ou tristeza, a linha tênue entre elas é facilmente percebida.

Muitas pessoas descobriram hobbies novos durante a quarentena, o que é particularmente incrível e esperançoso a meu ver; o indivíduo simplesmente estava em uma situação horrível onde ele poderia ter ficado mal e chorado ou se isolado de si mesmo, entretanto ele escolheu procurar algo que o fizesse sentir-se renovado, é sensacional!

Paramos para pensar no porque de estarmos tão ansiosos também, até porque suponho que vários não tinham noção do quão dependente emocionais podemos ser, o quanto precisamos de outras pessoas. E, consequentemente, essa ideia atrai o pensamento de "quem eu estou colocando em minha vida? Vale a pena?". Por vezes temos contato, amizade ou outro tipo de relação com pessoas que não nos trazem benefícios, que nos intoxica - nem sempre por vontade própria -, e se vale a pena manter essa pessoa ao nosso lado mesmo com tudo isso que nos afeta de forma ruim.

Muitos amigos e familiares se afastaram durante a quarentena por não terem contato, e penso que são situações como essa que nos mostra quem está realmente ao nosso lado para tudo.

Quantas metas foram criadas? Quantos sonhos descobertos e talvez até realizados? Preso dentro de casa, mesmo com o EAD ou workhome, ainda se tem um certo (bom) tempo livre, alguém que sonhava em aprender a bordar por exemplo e antes não tinha oportunidade, arranjou um bom momento para começar. E objetivos, ambições sempre são consequências quando descobrimos mais sobre nós mesmos; sobre o que almejamos e gostamos, o que desprezamos. E esses desejos não têm que serem grandes, apenas proporcionar um simples jantar para seus familiares após a pandemia já pode ser considerado um sonho.

Perseverança é uma boa palavra para descrever o que foi esse ano. Precisamos de muita para continuarmos vivos; não digo no sentido de corpo e batimentos cardíacos, mas sim de alma. O quão cansativo pode ser aguentar a si mesmo às vezes, ou as pessoas que estão agora 24h por dia ao nosso lado, os trabalhos que parecem terem se tornado muito mais complexos e em maior quantidade? É insuportável.

Necessitamos de muita força de vontade todos os dias para levantar da cama e então... voltar para ela. Acho que nunca conheci o teto do meu quarto tão bem como agora, já sinto-me uma amiga íntima dele.

E é exatamente isso. Vivemos como se estivéssemos presos em uma caixa, e parece que a cada dia que se passa ou diminuímos até tudo parecer gigante perto de nós ou crescemos tanto que não parecemos servir na caixa, o que nos sufoca.

E sobreviver a tudo isso; conseguir refletir e tirar algo bom, vínculos que foram impressionantemente formados, sonhos que descobrimos, hobbies, coisas que construímos ou simplesmente nos fizeram sorrir em tamanha angústia... tudo isso exigiu muita perseverança, força e coragem que talvez não teríamos criado se o atual ano ou a pandemia não houvesse existido; talvez tivéssemos continuados a viver no looping infinito de atos e visões (certeiros ou não) se repetindo, como um personagem do teatro que nunca se inova ou uma boneca de pano que tem sempre o mesmo rosto.

Só podemos esperar que, em 2021, as coisas melhorem, que a vacina chegue e o vírus desapareça e nos recuperemos de nossas lesões desse ano e possamos crescer com as lições e reflexões exímias que tiramos de 2020.




















por Malu Weiss




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