Feliz Aniversário, Itapetininga!

Atualizado: Out 23



No ano que esta cidade maravilhosa (não é o Rio de Janeiro, é Itapetininga mesmo) completa 250 anos de fundação, eu completo 47 anos morando aqui.


Embora não fosse itapetiningano, condição que só recebi em 2016 e a qual muito me orgulho, sempre tive a impressão que minha vida aconteceu somente aqui. Mesmo nas ocasiões em que fui para o Exército e para a faculdade, minhas raízes estavam fincadas neste chão. Piegas barbaridade, mas me lembro de uma frase do Pequeno Príncipe (que fui obrigado a ler na escola) que dizia que o homem não tem raízes... discordo, porque eu tenho; e estão nesta cidade, cujo preço foi de uma mula ruana (adoro esta história).


Eu e outros itapetininganos aproveitamos bastante Campinas nos anos oitenta, mas na sexta queríamos estar aqui. Era clube durante o dia, bailinho no Venâncio à noite e Virgílio a tarde. Lamento que a geração moderna se ocupe em crises existenciais; nós não tínhamos tempo para isto. E com certeza aqueles dos anos 50, 60 ou 70 falarão que a época deles foi melhor. Não duvido, mas para mim não tem importância e não faz diferença....


Com o tempo, mesmo sem ter nascido aqui, adquiri as características do povo itapetiningano. Meus filhos adoram me zoar quando começo a falar de quem morava em tal casa, quem é parente de quem ou de qual família é determinada pessoa. Meu sotaque e os famosos “correndinho ou chovendinho” fizeram sucesso na faculdade.


O povo daqui tem uma hospitalidade ímpar e características próprias, que até permitem que sejamos reconhecidos em outras cidades. Quem só atravessa rua na diagonal ao invés da perpendicular? Quem desce da calçada e só depois olha a rua para atravessar? Onde mais as gordinhas de Biz andam na pista da esquerda a 10 km/hora sem olhar no retrovisor? Só nós fazemos isto, mais ninguém... É até engraçado, mas isto é (faz parte da) identidade de um povo. Temos também raízes fincadas na história do país; que o digam os Constitucionalistas de 32 e os pracinhas que daqui partiram. Tenho orgulho disto.


Destaco, entre as coisas que mais tenho orgulho, e não nego que não seja orgulhoso, mas não metido, de ter sido aluno do Peixoto Gomide, de pertencer a Loja Firmeza e de ter iniciado minha vida profissional na querida Santa Casa, baluartes da história itapetiningana. E mais ainda dos meus filhos terem nascido aqui.

Embora muitos falem que de passado não se vive, ele é importante. São nossas raízes, crescidas sob a forma de família, dos amigos, dos costumes, das tradições, fincadas em solo firme, que nos dão sustentação; não tenho a menor dúvida disto. Mas é preciso pensar no futuro...


Itapetininga está crescendo a olhos vistos, a galope (o que às vezes me preocupa, pois temo o crescimento desenfreado) e precisamos pensar naquilo que é nosso futuro: nossas crianças. Se meu conselho servir aos futuros governantes daqui, já que a eleição se aproxima, façam bom proveito, não quero ser o pai da ideia. Se não servir, que pelo menos meditem um pouco sobre o assunto.


Preocupo-me basicamente com duas coisas: segurança e educação. Em relação à segurança, embora pareça radical, sou a favor da tolerância zero; perderemos menos dinheiro e tempo com isto; consequentemente, o trabalho e o progresso virão. Em relação à educação, chega daquela história do paletó do funcionário pendurado na cadeira; um finge que paga e outro finge que trabalha. Melhores salários, melhor seleção, melhores professores, melhores alunos e, consequentemente, melhores profissionais.


Tolerância zero e a favor da volta da nota zero... para o bem de Itapetininga e dos seus.



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