O Bailado no Brasil - Parte 8


No final da temporada chegou Anna Pavlova e sua Companhia. Vera trabalha sob a direção de Ivan Christine, maitre da campanha, no ballet de conjunto, conseguindo grandes progressos. Felizmente permanecem em Bueno Aires os bailarinos Yaskobeff e Tomaroff e continuaram seu preparo técnico.


Foi contratada no ano seguinte pela própria Anna Pavlova, no seu retorno à Argentina, permanecendo em excursão pela Costa do Pacífico e América Central, só interrompido devido à gripe espanhola, quando os bailarinos se dispersaram.


Vera retorna à Argentina, sendo contratada para o Teatro Colón como solista, trabalhando com o Regisseur coreógrafo Romeo Francioli. Juntamente com outros artistas foi para o Rio de Janeiro aguardar a chegada da Companhia de Leonide Massine-Vera Savina para a Temporada Lírica de 1921. Foi quando conheceu Pierre Michailowsky, russo de nascimento, formado pela Escola Imperial de São Petersburgo e com um passado de realizações. Apaixonaram-se desde o primeiro encontro.


Pierre acompanhou-a até Bueno Aires criando então a Escola de Baile e o 1º Corpo Baile do Teatro de Colón.


Vera trabalhou sou sua direção até chegar ao título de 1ª bailarina. Permaneceram juntos, só legalizando a união pelo casamento vinte anos depois, em 19 de março de 1942, no Rio de Janeiro, tendo como padrinhos Dr. Afrânio Peixoto e Aluísio de Castro.


No Centenário da Independência voltam ao Brasil (1922), apresentando-se no Rio de Janeiro e em São Paulo. Pierre foi diretor, coreógrafo e primeiro bailarino e Vera, juntamente com Esmé Davis, as primeiras bailarinas, atuando nos bailados das Óperas “Carmen”, “La Favorita”, “O Guarani”, “Francesca de Remeni”, “Thais” e “Manon”.


Depois de várias excursões pela Argentina, Chile, Peru e México, voltam ao Brasil, fixando definitivamente no Brasil. A união dos dois artistas cessou com o falecimento do mestre em 1970, aos oitenta e dois anos, quase meio século (48 anos) juntos. A participação de ambos foi importantíssima na história do ballet no Brasil.


Após a morte do Pierre, Vera perdeu o ânimo para prosseguir em suas atividades, recolhendo-se à privacidade de seu lar.


Várias doações foram feitas ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro e ao Museu dos Teatros, incluindo um prêmio anual, chamado Pierre Michailowsky, conferido à melhor aluno do último ano da Escola de Danças Municipal do Rio de Janeiro -prêmio em dinheiro- distribuído de 1972 a 1975, deixando de existir devido à reforma do Teatro e desmembramento da escola.


Por Diva Straub Leite













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