Dias dos Privilegiados!

por Roberto Amaral

Há alguns meses escrevi sobre o Dia das Mães e acredito que algumas corujas pelo menos tenham lido. No entanto, por ser tratar de uma condição feminina (mãe) minha situação foi limitada a de coadjuvante, só me restando (sempre) agradecer pelo amor que recebi, ainda mais de forma incondicional. Sim, para aqueles que não sabem ou ainda não perceberam, amor de mãe é incondicional. Caso haja algum mal-entendido a respeito, peço que leiam o texto novamente. Com mãe, em se tratando do filho, não tem negócio.

 

Desta vez pelo menos tenho a oportunidade (infinitamente grata) de escrever sob dois prismas distintos, o de filho e o de pai. Para começo de conversa, amor de pai é condicional; as coisas devem e são “negociadas”. Na Bíblia, em Provérbios, há inúmeras citações quanto ao uso da vara como parte da educação dos filhos, aplicado (pelo amor de Deus) de forma simbólica e não ao pé da letra; e isto deve ser visto obrigatoriamente como norte de uma boa educação. Não se educa filho com permissividade. Ontem mesmo, conversando com meu pai a respeito, ele me contou que quando eu era pequeno um amigo seu, que tinha uma filha menor e extremamente desobediente, questionou o que fazer quando os filhos não obedeciam mais... a resposta do meu pai foi curta e simples: - não sei, meus filhos nunca chegaram nesta fase!

 

Criei meus filhos de certa forma como fui criado, observadas algumas modernidades pertinentes ao século XXI e com um ligeiro desconto. Politicamente incorreto sim, mais uma vez, e não me arrependo. Hoje, já crescidos, observo que são cidadãos do bem e me regozijo por isto. Ainda tenho, às vezes, vontade de usar a vara (sempre simbólica), principalmente quando fazem bullying comigo, mas me contenho, já que me esqueci de ministrar aquelas aulas sobre “olha o respeito” (conversando com amigos, entendo que não fui só eu – acho que faz parte desta geração ser assim ou da nossa, que certamente é um pouco mais frouxa). De qualquer forma, aconselho aos menos experientes que não deixem de ser firmes e exigentes. Mães até se acham no direito de criarem monstrinhos, mas pais não podem... Concluindo, não me arrependo da educação que dei e me orgulho muito dos filhos que criei.

 

Tenho aqui que fazer uma ressalva, já que tenho dois filhos. Não sei o que seria de mim se tivesse filha(s). Reconheço que talvez fosse mais permissivo, indevidamente seduzido pelo charme de uma menininha. Isto sem falar dos ciúmes, que me matariam. Acho que Ele entendeu que eu não suportaria...
E como filho? Posso começar dizendo que tive mais que um exemplo, mas com fases absolutamente distintas, conforme prega o Criador. Fui criado de forma rígida na infância (aquela história de jamais desobedecer), tive um mestre quando jovem (é verdade que com um senso crítico um tanto exacerbado – tenho de ser sincero, ele me ensinou assim) e tenho um grande amigo agora, que além das conversas sobre maçonaria, motocicletas, educação dos filhos (!) e tantos outros assuntos, me reforça constantemente o senso de justiça, que lhe é tão enraizado. Como fala pouco, basta um olhar para nos entendermos. 

 

Aproveitando a deixa, com saudades, não posso deixar de lembrar o meu sogro, um segundo pai, que me foi um exemplo de bondade e humildade, virtudes mais que raras nos dias de hoje.
Finalizando: um grande abraço aos pais no seu dia, principalmente ao meu, que é pai, mestre, amigo e reconhecidamente Irmão.

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