Saúde à Brasileira:

DA UTOPIA AO OVO

Antonio Monteiro, clínico geral em Alambari e ex-diretor do Escritório Regional de Saúde de Itapetininga, chegou à redação antes do previsto para conversar com a Revista Top da Cidade. A partir de então ouvimos suas posições desde o futuro da medicina, medicina alternativa até ao clássico: o ovo faz bem. E esse bate-papo você confere agora:

 

Afinal, o que é viver com saúde?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) definia no passado uma visão um tanto utópica sobre o que é saúde. Para ela, ter saúde era estar bem física, psicológica e socialmente. Mas, claro, se para ter saúde era preciso estar bem em todos esses pontos, dificilmente alguém seria saudável (risos). Hoje isso mudou. Já eu vejo que viver com saúde é ter a liberdade física e psicológica para viver com autonomia na sociedade. 

 

Mas parece que saúde está mais ligada à doença ou à falta dela, não é?
Sim. Costumo dizer que aqui no Brasil não temos um sistema de saúde, mas um setor de tratamento de doença. A grande verdade é que nossos médicos de hoje foram treinados para pedir exames e receitar o remédio. Não se investiga as causas da doença, e o pior, não se dá a devida atenção ao paciente. As pessoas não são geladeiras, o médico não é um técnico que conserta um micro-ondas, é preciso ouvir e falar a verdade ao paciente, não somente receitar o remédio que ele pede.

 

É como o senhor costuma trabalhar?
Com certeza. Ao atender um paciente escrevo o relato de que dor ele está sofrendo e por que ele acha estar sofrendo. Toda informação é útil. E isso é o básico, porque daqui a três meses ou mais quando o paciente retornar eu preciso lembrar quem ele é e do que sofria. Ou até para que outro profissional o atenda, pois posso estar de férias. E isso é algo básico, o bê-á-bá da medicina, mas por incrível que pareça há médicos que não fazem isso. Ou então que fazem relatórios ou receitas ilegíveis. É caso de polícia... a medicina é ao mesmo tempo arte e ciência, a ciência está ótima, o que falta é arte.

 

Seu posicionamento não te traz ‘dor de cabeça’ com seus colegas?
Ah, causa. Muitos não falam na frente, mas fica como se eu fosse um ‘cara chato’. Até porque vejo outros problemas hoje na nossa Saúde. Por exemplo, a centralização de todo o sistema de saúde no médico. Não há uma equipe trabalhando em conjunto. Em países de primeiro mundo muitas funções como prescrever um óculos ou fazer uma simples limpeza de ouvidos podem ser feitas por outros profissionais, o que não acontece aqui. E essa dependência do médico é um dos geradores de demora no atendimento.

Isso quer dizer que naqueles países não têm problemas? Ou os problemas são outros?
Lá os problemas são outros, todo país tem certo desconforto quando o assunto é Saúde. E é natural que seja, porque as necessidades sempre serão maiores que os recursos. Mas vamos pensar nos países mais ricos: há o problema da obesidade, fruto de nossa sociedade de dieta obesogênica (de consumo desenfreado), e o problema do envelhecimento da população.

Explique, por favor?
De um lado as pessoas são influenciadas a comer cada vez mais coisas que elas não precisam. De outro, o avanço da medicina permitiu que essa mesma pessoa tenha uma expectativa de vida maior. Logo, com a redução da natalidade, a expectativa de vida maior e consumo desenfreado, a população toda começa a sofrer de doenças crônicas ou doenças psicológicas, já que a felicidade nesse tipo de sociedade é o consumo, isto é, se não tenho condições de consumir me sinto infeliz.

 

Mudando um pouco de assunto, como o senhor vê as medicinas alternativas?
Da mesma forma como vejo a medicina moderna: não é uma ciência exata. Por isso, toda posição e teoria têm possibilidades de funcionar. Veja, por exemplo, a medicina oriental. Ela tem uma visão completamente diferente da nossa, ocidental, porque para eles há uma ligação entre todo o corpo, enquanto que nós enxergamos o corpo por parte. E não é por essa diferença que podemos apontar o dedo e dizer que aquilo não funciona.

 

Ainda sobre esse tema: homeopatia?
Não conheço a fundo a homeopatia, sei que se trata de medicar o paciente em pequenas doses. Sei também que há um fundo místico, de que, por exemplo, ao chacoalhar a medicação ela é capaz de fazer mais efeito. Mas enfim, é aquilo que já disse, a medicina não é uma ciência exata.

 

Por último: ovo faz bem ou mal?
Esse é um entre tantos debates que existem na medicina. Tem aquele também, de quanto de água você tomar por dia. Se a alimentação vegetariana é mais saudável. Acho que a resposta certa para essas perguntas é: o meio é o melhor caminho, ou seja, moderação. Comer ovo faz bem ou mal? Depende, um ou dois por dia, moderação; 50 num só dia, exagero. Água, não precisa se pressionar para tomar certinho aqueles 2, 3 litros, tenha moderação. Não há segredos ou receitas mirabolantes, tudo pode ser resumido em moderação.

Dr. Antonio Monteiro

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