PAULO HENRIQUE MARTINS


O triatleta que ultrapassou o
crack e hoje é #itapemundial

Cerveja, pinga, conhaque, cigarro. Depois maconha, cocaína e, em seguida, crack. De degrau em degrau, Paulo Henrique Martins, de 33 anos, foi intensificando o vício. “Durante minha terceira internação conheci um cara que estava na 30ª. Não queria essa vida, esse foi o basta”, afirma. Hoje, o vício foi ultrapassado. Paulo passou correndo, pedalando e nadando: ele é triatleta e em julho será “#itapemundial”, representando Itapetininga num mundial da modalidade na Dinamarca.

 

O itapetiningano começou cedo no álcool, aos 10, 11 anos. Nos churrascos de família era só uma cerveja. Escondido de vez em quando um cigarro ou dois com os amigos. Sem freios, Paulo passou a adolescência e chegou a vida adulta um alcoólatra e viciado em drogas. “Passei no concurso público para agente penitenciário e fui morar em São Paulo. Foi lá que me tornei viciado em bebida inicialmente, como a grande parte dos homens da minha família. Aos 23 anos, o médico me alertou que estava contraindo cirrose”, lembra.
Foi internado em 2006 por um mês, em 2010 por seis, em 2012 por nove meses. Em 2014 voltou a Itapetininga para retomar a vida. “Depois dessas internações percebi que precisava de uma mudança profunda, não superficial, até mesmo para ser um bom exemplo para minha filha. Fiz uma reforma íntima em minha vida, incluindo como relacionava com ansiedade, prazer, com a família, trabalho”, resume.
Atualmente vai ao trabalho no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Capela do Alto de bicicleta. Uma forma de treinar com utilidade. “Hoje treino de manhã e a tarde nos dias de folga, entre 30 a 60 horas por semana. Tenho uma alimentação muito regrada, enfim, minha vida hoje é o triatlo, graças a Deus tenho o apoio da minha namorada Poliana Ramos da Costa”, ressalta.

 

Vida de atleta
Começou no esporte em 2016 aos 30 anos, depois de fazer uma maratona. O triatleta sempre gostou de esporte. Na infância fez natação e taekwondo, na adolescência quase se tornou profissional em hóquei de patins. “Ter quebrado a canela e a carreira acabada antes da hora foram alguns dos motivos que me levaram a se tornar um viciado”, comenta.
Em sua primeira maratona, em 2016, ficou em 83ª posição. “Os treinadores me perguntaram se eu queria participar ou queria ser um triatleta. Sou uma pessoa de extremos, então optei por ser o primeiro”, afirma. 
Desde então, em dois anos, Paulo conquistou mais de 150 medalhas (média de uma por semana), foi campeão da Copa Interior em 2017, vice em 2016, lidera a mesma competição este ano, se tornou atleta da Federação Paulista, da Federação Brasileira, ficou em 5º lugar no nacional de 2017 e conquistou a vaga para o mundial na Dinamarca, em julho, e para outro mundial na Austrália.
Para tantas conquistas, além de treino e alimentação adequada, o triatleta conta com a ajuda de apoiadores e amigos. “Infelizmente ainda não consigo viver do esporte. Mas recebo a ajuda de muitos e queria agradecê-los: Prefeitura de Itapetininga, Secretaria de Esportes, Clínica Dentária Avenida, Clube Venâncio Ayres, Secretaria de Administração Penitenciária, Diocese de Itapetininga, Julio Vicuña, Acqua Training, WorldMuscle Suplementos, Academia Ultimate FK, Nutricionista Isabela Rodrigues, Fisioterapeuta Anderson Ferreira, Carmo & Leia Depilação, Estética Poliana Ramos, Laura Vaz Make UP, Corvo Motion e Projeto CASA”.

 

Projeto Dinamarca
Além de participar do mundial de triatlo na Dinamarca, Paulo pretende seguir numa jornada sozinho por mais de 1,2 mil quilômetros entre o país e a França. “A competição é 5 a 15 de julho. Mas minha ida e volta é entre 1º e 25. Isso porque nos dias restantes vou de bicicleta da Dinamarca até Paris”, conta.
Para a viagem levará nada mais que 300 euros e um cartão de emergência. “Vou procurar igreja para dormir, se não achar vou ter que me virar, comprar coisas baratas para comer se precisar. Não haverá luxo, até porque já gastei mais de R$ 8 mil em viagem, inscrição e alimentação, e não tenho mais condições. Será uma aventura mesmo.”
Diante da extraordinária viagem, o triatleta sente um misto de ansiedade com felicidade. “É surreal, ainda não acredito que vou viajar ao exterior viver uma aventura e estar numa competição com os melhores do mundo. Toda minha família está muito orgulhosa, principalmente minha mãe que nunca me abandonou mesmo nos momentos mais difíceis do vicio”, celebra.
A história de superação do Paulo Henrique Martins, o ‘Triatleta Top’ de Itapetininga, nos mostra que nunca é tarde para mudar. Ainda mais quando essa mudança pode realizar seus sonhos.

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